As Tragédias de Ano Novo no Rio e São Paulo

janeiro 16, 2011

Por Alberto de Castro

Janeiro chegou e com ele mais uma vez as notícias tristes, desesperadoras e repetidas de mais uma tragédia nos estados do sudeste, desta vez: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

No ano de 2010 viveu-se a mesma situação no Rio de Janeiro (Angara dos Reis) e São Paulo. Casas destruídas, famílias dilaceradas, clamor da mídia. Em 2008 vimos a destruição de enormes áreas residências em Santa Catarina, mesmo clamor.

A realidade de todas estas tragédias são as perdas da população, materiais e infelizmente imateriais via mortes que poderiam ter sido evitadas.

Nestes eventos o que assistimos é o de sempre.

Cobertura diuturna da mídia com exploração das cenas mais chocantes e das reportagens de vítimas apelativas, âncoras saindo dos estúdios refrigerados e atuando na área da catástrofe, tudo em nome da audiência.

Autoridades, prefeito, governador e até presidente da república, em visita às áreas devastadas, explicando o injustificável e repetindo o lengalenga de sempre: “a tragédia se deu pela ocupação de encostas de morros, de APP (Área de Preservação Permanente), urbanização de terrenos inadequados, etc…” e finalmente prometendo liberação de recursos do FGTS e de financiamentos para os atingidos, e verba extraordinária para a recuperação das áreas destruídas. Nas casas legislativas, os discursos de sempre: solidarização com as famílias das vítimas, a oposição responsabilizando o gestor de plantão pela tragédia e a situação defendo a “tese” de que o problema é secular e para sua solução serão necessários vários anos.

A população e as empresas se mobilizam criando pontos de coleta de donativos que no primeiro momento vão para as vítimas, mas passado o clamor geral ficam armazenados no fundo de um armazém qualquer e até são usados indevidamente, virando fonte de recursos, pelos “espertos” de sempre.

E o resultado disto tudo sempre tem sido ações intempestivas e pontuais que atuam apenas e tão somente nos efeitos e por isso se transformam em desperdiço de recursos públicos.

As autoridades nunca admitiram que a ocupação indevida de encostas e APP se dá pela conivência das mesmas, algumas por métodos populistas, outras por interesse pessoais e de votos a cada quatro anos. O ministério público em nenhum momento exigiu o cumprimento da lei que preserva as APP. As casas legislativas até então não se posicionaram firmemente apresentando projetos e emendas ao orçamento para a remoção da população das áreas de risco e cumprindo seu papel de fiscal do erário público.

A imprensa jamais fez o mea-culpa, quando invariavelmente ao passar o clamor popular que lhe gera audiência e venda de jornais e revistas esquecem os fatos registrados e abandonam a população até a próxima tragédia. Não há um acompanhamento das soluções para solução dos problemas nem tão pouco do cumprimento da palavra empenhada pelas autoridades municipais, estaduais e federais.

A sociedade organizada através de suas entidades de classe (OAB, IAB, CREA, etc..) não se posicionam nem mesmo durante as tragédias quanto mais na apresentação de propostas para, no mínimo, a mitigação dos problemas e suas causa seculares.

A população tão menos tem exercido seu poder cidadão, limitando-se a oferecer ou aceitar a ajuda momentânea durante as tragédias. A população brasileira tem pensado sempre no agora, não tem sentimento nem propostas para o curto, médio e longo prazos, e continua a chorar a dor e desgraça de cada sinistro climático ou de outra procedência e nada de trabalhar a prevenção de acidentes.

Nos últimos tempos todos têm apresentado como o grande vilão: a chuva e o badalado movimento de mudanças climáticas e aquecimento do planeta.

O real legados destes eventos de crise e sofrimento da população brasileira é que nunca aprendemos com os erros passados, os erros cometidos por autoridades e população são exemplos apenas para ser repetidos e chorados, até quando não sabemos, mas certamente haverá um dia em que a vida terá um novo valor e uma nova dimensão!

http://nossascidades.wordpress.com


Projeto Ecológico da McDonald´s

novembro 16, 2010

Por: Alberto de Castro

Da Frigideira para o Tanque de combustível, rodando com resíduos de fast-food

Projeto da rede McDonald’s no Brasil transforma o óleo usado na fritura dos sanduíches em biodísel que abastece os caminhões de entrega da empresa.

O ciclo é fechado e se inicia quando galões instalados junto às frigideiras das lojas coletam o óleo utilizado nas frituras. Os caminhões de entrega chegam às lojas deixam a carga de massas, verduras e outros ingredientes para os sanduíches, recolhem as bambonas e transportam até a empresa de logística do grupo, a Martin-Brower. Na Martin-Brower o óleo é filtrado e acondicionado para o transporte até a refinaria SP-Bio em Sumaré-SP, sendo aí transformado em biodisel. Na refinaria são produzidos o B-20 (diesel comum com adição de 20% de biodísel) e o B-100 (óleo 100% biodisel).

O biodisel é transportado da refinaria até a sede da Martin-Brower pelos próprios caminhões da rede onde é distribuído para toda a frota de veículos (quatro veículos que usam o B-20 e um o B-100). O ciclo se repete no dia a dia da organização.

Este é um projeto que pode ser definido como autosustentavel e que se caracteriza não só pelo reuso da matéria prima como também pelo eficiente aproveitamento da logística, evitando que os veículos façam percursos vazios.

Alberto de Castro é engenheiro eletricista , pós-graduado, lato sensu, em Gestão Ambiental e Gerência de Marketing. http://albertodecastro.wordpress.com/


Os mineiros de San José

setembro 3, 2010

Por Alberto de Castro

A imprensa mundial tem noticiado o drama de 33 mineiros confinados no interior de uma jazida de cobre e ouro no Deserto de Atacama, norte do Chile.

O acidente iniciou-se em 5 de agosto, e por 17 dias os mineiros ficaram incomunicáveis, só então após a perfuração de um “canal” por uma sonda, se teve a informação de que os 33 mineiros estavam salvos. Mantiveram-se pela ação e liderança de um Sr. de 54, Luiz Urzua que planejou a dieta a ser seguida por todos (duas colheres de chicharro em conserva e meio copo de leite a cada 48 horas) e utilizou as baterias dos nove veículos para o suporte de energia elétrica.

À grande e excepcional notícia de que todos estão vivos, planejou-se o resgate destes bravos seres humanos, o qual virá pela abertura de canais que já estão levando alimentação, água e outros produtos para a manutenção da vida no interior da mina a quase 700 metros de profundidade. O plano de resgate propriamente dito consiste de: uma perfuração guia sendo necessário o trabalho dos mineiros confinados na retirada de até 500 kg de terra por dia, nos últimos metros se utilizará uma broca que ampliará o diâmetro do buraco de modo a que finalmente se faça a retirada um a um dos mineiros em uma gaiola e com os olhos vendados para preserva a visão dos mesmos. Todo o processo de abertura do canal se fará a um ritmo de 6 a 15 metros por dia, condição que exigirá de 110 a 60 dias para que estes homens voltem ao convívio de seus familiares.

Este acidente além de mostrar ao mundo a capacidade de adaptação do ser humano, demonstra que:

  1. A mineração apesar de continuar sendo uma atividade de risco, deixou de ser algo suicida;
  2. A tecnologia, apesar da oposição de alguns, se apresenta como uma alternativa para a solução de problemas da humanidade inclusive do meio ambiente;
  3. A liderança positiva do ser humano é capaz de transformar desgraças eminentes em case de superação e adaptação das pessoas às mudanças a elas impostas.

José Alberto de Castro é engenheiro eletricista e atualmente atua na área de consultoria e auditoria dos sistemas SGQ e SGA, e projetos de inovação. www.albertodecastro.wordpress.com


Quais os Custos do Acidente no Golfo do México?

agosto 4, 2010

Escrito por Alberto de Castro.

A imprensa mundial tem noticiado que a British Petroleum (BP) parece ter chegado a uma solução paliativa para controlar o vazamento de petróleo no golfo do México. Acidente que aconteceu em 20 de abril do corrente ano, portanto a mais de 90 dias que o poço da BP tem jogado óleo no mar, no volume de 800 mil litros diários, atingindo toda a costa do golfo do México (Flórida, Alabama, Louisiana e Mississipi) e com possibilidade de chegar a costa de Cuba. A companhia petrolífera tem informado que o custo final para conter o vazamento ainda não foi calculado e que no primeiro mês os valores chegaram a 523 milhões de libras (R$ 1,4 bilhão) e prometeu destinar 500 milhões de dólares para estudar o impacto do vazamento.

O mercado de ações tem respondido ao acidente de forma exemplar estima-se em uma perda de 25% do valor de mercado da BP, algo em torno de 50 bilhões de dólares.

Segundo a mídia o governo americano tem exercido forte pressão sobre a British Petroleum para resolver a “enorme bagunça ambiental” no Golfo do México. O presidente Barack Obama, disse que a desastre representa uma catástrofe ambiental sem precedentes para o país, já que ameaça manguezais e refúgios naturais na costa sul do país. Também há graves prejuízos para atividades econômicas, como a pesca e o turismo. Há ainda a preocupação com a opinião pública americana tendo em vista as eleições de novembro próximo, e segundo as pesquisas os eleitores não estão satisfeitos com as ações do presidente neste episódio.

O que chama a atenção é a repercussão do acidente por parte dos governos e da mídia dos demais países, o que temos visto é um simples acompanhamento e a torcida para que tudo acabe bem e o mais rápido possível, convenhamos é muito pouco.

Fosse esse acidente provocado por um outro País da América Latina ou do Oriente Médio e toda a força política e econômica do G-7 teria sido exercida sobre o causador do acidente.

Também muito pouco se ouviu a voz das ONG e nada se ouviu dos ativistas de hollywood, como por exemplo o cineasta James Cameron, diretor de Avatar, e a atriz Sigourney Weaver, estrela do mesmo filme, que se indignaram e em visita comercial (divulgação do DVD do referido filme) se pintaram para protestar conta a construção de uma hidroelétrica na Amazônia. Seriam os prejuízos do acidente da BP menos significativos ambientalmente que a construção de Belo Monte? Com toda a certeza NÃO!

O que este acidente demonstra é que os EUA continuam se achando o centro do mundo e os americanos se imaginam o salvador do planeta.

Voltando ao acidente da BP, já seria hora de se perguntar: quem pagará pelos danos ambientais, pela perda das vidas dos 11 trabalhadores durante o acidente, pela perda de toda a biodiversidade das áreas atingidas, pelas perdas econômicas das comunidades que vivem da atividade pesqueira?


Na rede o Blog Ecos da Notícia

julho 24, 2010

Esta na rede  o Blog Ecos da Notícia do amigo e colaborador Alberto de Castro que tem como tem por objetivo apresentar uma versão sobre os principais temas pautados pela mídia nacional e que se tornaram notícia onde ele apresenta a sua visão sobre os fatos.

O Ecos da Notícia pretende comentar sobre:

  • Cotidiano – nesta, serão editados todos os textos referentes ao dia-a-dia das pessoas e dos locais em que elas vivem;
  • Cultura – onde você poderá acessar textos referentes às notícias da área cultural;
  • Esportes – nesta, serão disponibilizados textos repercutindo as notícias do mundo do esporte, devendo-se se enfocar o que se publicar sobre a Copa FIFA de 2014 e as Olimpíadas de 2016;
  • Política – onde, estarão as notícias sobre os meandros e os fatos que fazem a política brasileira e seus políticos tão queridos de todos nós brasileiros.

Você pode ler o Blog no link http://albertodecastro.wordpress.com/


Meio Ambiente e Nossas Posturas

junho 17, 2010

Alberto de Castro

Nesta primeira semana de junho aconteceu um sem número de eventos sobre o Meio Ambiente, tudo em decorrência da passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente exatamente no dia 5 do referido mês.

Passado os festejos a pergunta que devemos fazer é: o que realmente ficou de legado desta mobilização?

Se o que ficou foi um discurso repetido de que o estado (Paises, estados e municípios) e seus gestores são os responsáveis pela realidade ambiental vivida pelo planeta e que faltam políticas eficazes para conter a volúpia capitalista das empresas, continuamos caminhando para traz e nada se alterará na gestão ambiental do planeta. Continuamos no passo do caranguejo porque esta é uma postura secular e que só interessa a poucos, e acima de tudo é uma postura passiva e que tem por objetivo transferir responsabilidades e tirarmos o nosso da reta.

Se o legado destes eventos foi o entendimento de que o meio ambiente é responsabilidade de todos e que a solução da maioria dos problemas começa pela postura de cada indivíduo, então iniciamos a caminhada para a efetiva discussão e busca das soluções possíveis e eficazes. Esta postura acena com uma luz no fim do túnel e ativa nosso sentimento de otimismo uma vez que se trata de uma postura pró ativa, e que nos conduz a cidadania plena.

O nosso País tem uma das mais avançadas legislação ambiental mundial, no seu bojo está definido de há muito o Código Florestal com as Áreas de Preservação Permanente – APP (Lei 4771/1965), estabelecido o Plano Nacional de Meio Ambiente (Decreto 99274/1990), o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (Lei 7661/1988), a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9433/1997) e a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9795/1999) e tem um instrumento específico para os Crimes Ambientais (Lei 9650/1998).

Pode ser razoável opinar-se de que o Brasil pode ter falhado em algum momento na fiscalização e exigência do cumprimento da legislação, mas não no disciplinamento da questão ambiental.

Para criar a cultura pro ativa com relação ao meio ambiente, se faz necessário investimentos massivos e pessoais em educação ambiental, ir além do que é ministrado nas escolas. Associado a esta educação deve-se trabalhar posturas ambientalmente corretas, por exemplo:

Como me tornar um consumidor responsável – refletir qual o seu comportamento individual sobre o consumo, estou comprando o essencial ou sou um consumidor por impulso, gostei do modelo compro, considerei a novidade eletrônica bacana adquiro na hora. Consumir responsavelmente passa pela necessidade e não pela oportunidade e quantos de nós estamos preparados para abdicar de ter: mais um par de sandálias ou sapato, mais um televisor (nestes tempos de copa), aquele sanduicheira elétrica.

Como contribuir para a sustentabilidade do planeta – como consumidor estou buscando informações sobre o produto adquirido, qual sua origem, qual o processo de fabricação, o fabricante é uma empresa socioambientalmente responsável. Contribuir com o meio ambiente requer uma postura de consumidor consciente, através do conhecimento se a empresa que me fornecerá o produto tem programa ambiental, está licenciada ambientalmente, utiliza insumos perigosos, trata seus resíduos de forma adequada, etc.

Como ser um cidadão – como individuo estou cumprindo as recomendações mínimas para mitigar os problemas ambientais em minha rua, bairro e cidade. Ser cidadão é muito mais que ser um individuo social, passa por internalizar uma cultura de que para cada direito há um dever a ser cumprido. Neste sentido se faz necessário atitudes do tipo: segregação do resíduo domestico, não jogar resíduos (pet, papel, latinhas) na rua, utilizar o veículo como um meio de transporte não um objeto de status, buscar prioritariamente o uso de combustíveis verdes, não produzir ruído sonoro além do recomendado, eleger políticos realmente comprometidos com as causas socioambientais.

José Alberto de Castro é engenheiro eletricista com pós-graduado, lato sensu, em Gestão Ambiental e Gerência de Marketing.


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