Tempo da travessia

dezembro 23, 2011

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Perto do final de 2008 tive o convite e a oportunidade de contribuir com o desenvolvimento deste caderno em parceria com a equipe deste jornal. Foi uma alegria e um prazer assistir ao nascimento e à evolução dessa inovadora ação editorial que conquistou leitores dos conteúdos impressos nestas páginas e replicados no portal do Sistema Verdes Mares na internet. O caderno, que chegou a bater recordes de acessos online, aproximando-se de outras seções diárias, como a de Esportes, teve definitivamente o seu mérito reconhecido pelo leitor cearense.

Desde a primeiríssima edição, pude compartilhar com você, leitor e principal personagem desta história, de pontos de vista, opiniões, tendências, homenagens, relatos, referências, notícias e até arrisquei algumas previsões de mercado. Recebi muitos feedbacks e sempre procurei responder, agradecendo os elogios e buscando mostrar o outro lado para as críticas sempre construtivas, que demonstravam a maturidade do leitor ante a imprensa. Aliás, esta mudou de perfil com o tempo, estabelecendo-se de maneira cada vez mais sólida com a liberdade instituída e protegida. Foram muitas mudanças desde os tempos de jornalismo das década de 50, com meu avô, o jornalista Olavo Araújo, e das décadas de 80 e 90, com meu pai, economista Osvaldo Araújo, que dedicou quinze anos de sua carreira a uma empresa de comunicação. Quero render minha homenagem a estas pessoas mais próximas e agradecer à equipe de profissionais que me deu liberdade, apoio e estímulo. Sinto-me honrado em ter tido uma coluna com meu nome ao lado de tantos profissionais que buscam honrar o nome, a contribuição e a memória do fundador deste jornal, o saudoso Edson Queiroz.

Se precisasse definir em poucas palavras qual foi o meu objetivo ao longo desses anos, ocupando sempre este mesmo espaço, invadindo sua casa todos os domingos, eu diria que foi o de abrir os olhos dos empresários, gestores e profissionais do mercado de trabalho sobre a importância da valorização das pessoas e do significativo retorno que o investimento nelas pode trazer. Numa única frase, os resultados só podem ser obtidos com e através da valorização do ser humano no trabalho e na vida. As pessoas são, sim, a roda que movimenta o mundo e as únicas responsáveis por tudo que se cria, produz, muda e evolui. Se na cabeça de cada um dos leitores, houver nascido uma sementinha que seja, da importância da valorização do seu semelhante no mundo corporativo e na sociedade em que vivemos, terei cumprido a missão.

É hora de passar a palavra e, por falar nelas, lembrar Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Feliz Natal e Ano Novo. Que os seus caminhos se renovem e os levem a novos e maravilhosos lugares. Bom dia, boa tarde, boa noite. Boa sorte!

Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste


Quem paga e recebe

dezembro 16, 2011

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

O trabalhador brasileiro acaba de ver incorporada à legislação (e logo à prática) a conquista que lhe foi assegurada na Constituição votada e aprovada em 1988. O aviso prévio em caso de demissão sem justa causa é agora proporcional ao tempo de serviço e pode chegar a 90 dias, e vale apenas em favor do trabalhador, ou seja, quando o trabalhador dá o aviso prévio à empresa, o prazo continua o mesmo, de 30 dias. Foram 23 anos entre uma data e outra, e o Parlamento não legislou para efetivar a conquista, foi preciso o Poder Judiciário interferir. O trabalhador está devendo esta ao Supremo Tribunal Federal.

O assunto acima acaba de ser pacificado, para usar uma expressão própria dos juízes, e uma nova discussão já está aberta em torno dos interesses do trabalhador brasileiro, agora em relação ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS. Como o leitor e trabalhador deve saber, o FGTS é a quantia que o empregador deposita na conta do empregado a cada mês, equivalente a oito por cento de seu salário, junto à Caixa Econômica Federal. Este dinheiro é corrigido mensalmente e remunerado anualmente à taxa de 3 por cento. O trabalhador pode sacar o dinheiro em situações especiais (quando é demitido, quando se aposenta, quando compra a casa própria etc) e não custa lembrar que o trabalhador passou a ter esse Fundo quando abriu mão da estabilidade no emprego, em 1964.

A questão que se coloca neste momento é o destino a ser dado ao lucro que o gestor do FGTS tem com a administração dessa gigantesca montanha de recursos. Parece óbvio que se o Fundo é do trabalhador a ele cabem os lucros. Mas assim não aconteceu nos últimos quase cinquenta anos. Possivelmente, a Caixa Econômica Federal incorporou este lucro ao seu resultado geral. Mas será que o trabalhador vai reaver o que (tudo indica) é seu de direito?

Por falar em Fundo de Garantia, outra discussão também poderia ser feita sobre os juros que as contas do FGTS recebem. Por que esses juros remuneratórios são de apenas 3 por cento. Há alguma razão para que eles não sejam exatamente iguais aos 6 por cento pagos aos depositantes da caderneta de poupança? Ou ainda, por que não pagar a mesma taxa Selic (11%) dos títulos públicos?

No começo dos anos 80 vários sindicatos reunidos em torno de um líder chamado Luís Inácio, o Lula, criaram um partido de trabalhadores. Depois de vinte e dois anos apenas, este partido chegou ao poder máximo, ao conquistar a Presidência da República, após 3 derrotas consecutivas. Este partido já dirigiu o País por 8 anos e, tudo indica, vai continuar a dirigi-lo por mais 8 anos. Além dos interesses diretos no FGTS, outras duas pautas interessam ao trabalhador: a tal Emenda 29 que destina mais dinheiro à saúde e o Plano Nacional de Educação que também destina mais dinheiro à educação. Em todas essas questões, esse partido de trabalhadores sabe exatamente o que os trabalhadores esperam dele. É pagar pra ver. E esperar.

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh


Economistas, educação e desenvolvimento

dezembro 2, 2011

Por Israel Araujo

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Se a guerra é um assunto muito sério para ser deixado ao encargo dos generais, o desenvolvimento também é grave demais para ser colocado sob o cuidado dos economistas, a começar pelo simples fato de que eles não se entendem nem entre eles. Uns acham que o desenvolvimento se faz apenas pela ação do mercado, outros que a ação do Estado é que é decisiva. Uns acham que deve-se abrir o comércio, outros que se deve proteger a indústria nacional. Na verdade, os economistas mais erram do que acertam e o poder de destruição de seus erros é monumental.

Conta-se que num desfile das forças militares russas na Praça Vermelha, em Moscou, em plena Guerra Fria, depois dos carros blindados, tanques, das baterias antiaéreas e dos mísseis nucleares, no último momento do desfile, apareceu um pequeno jipe com quatro pessoas a bordo. E perguntaram ao secretário do Partido Comunista quem eram os quatro ocupantes. O comunista respondeu: são nossos melhores economistas, os ministros da fazenda e do planejamento. Com todo o respeito aos economistas, mas enquanto eles discutem sobre a política econômica, os historiadores mostram que desenvolvimento se faz com educação. Sempre, sem exceções. Foi assim na Inglaterra, que dominou o mundo por um século, tem sido assim nos Estados Unidos, que domina há um século, tem sido assim nos países asiáticos, pequenos ou grandes tigres, que estão tendo e terão seu quinhão por muito tempo. Desenvolvimento sem educação não existe, é farsa, é propaganda vazia. Só a educação é capaz de fazer justiça social, a partir da garantia de um ponto de partida minimamente igual para os membros de uma sociedade. Vale para sociedade, vale para as empresas e vale para as famílias.

O Brasil, o Nordeste e o Ceará já venceram a luta pela democratização do acesso à escola. Os percentuais de matrícula são expressivos e recuperaram nos anos 90 e nos últimos dez anos muito o atraso que se acumulou no longo e tenebroso passado. Falta vencer o desafio da qualidade. Esta é uma batalha a ser travada na sala de aula, o professor é o guerreiro e as pessoas que elegemos para governar são os seus líderes. Os burocratas são seus gestores mais imediatos. Precisamos nos sentir seguros de que estamos em boas mãos em matéria de líderes e de guerreiros. Um professor qualificado e motivado faz a diferença: estudos sérios mostraram que os alunos deste mestre aprendem setenta por cento mais. Qualificar e motivar são decisões políticas que cabem aos líderes. Como fazê-lo cabe aos burocratas, ouvindo, quando for o caso, especialistas em gestão de recursos humanos (que podem oferecer ferramentas metodológicas de treinamento e desenvolvimento, de motivação, planos de carreira, sistemas de avaliação de desempenho etc). No mercado de trabalho fala-se todo dia em apagão de talentos. Isto não é causa, é conseqüência do apagão na gestão da educação.

Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh


Passo à frente

novembro 25, 2011

Por Israel Araujo

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Recolocação é o nome do serviço que as consultorias de recursos humanos prestam a executivos e executivas que estão eventualmente desempregados ou que, empregados, buscam uma mudança em suas carreiras. É um serviço pago e custa normalmente um mês de remuneração do profissional, desembolsado em parcelas no início do trabalho, independente do seu resultado (pois não há como dar garantias). Cada vez mais frequentemente, a recolocação (com o nome de outplacement) é também contratada e paga pela empresa que demite o profissional e, demonstrando efetivamente sua responsabilidade social, inclui no pacote de demissão essa assessoria. A empresa também age assim para evitar reclamações trabalhistas, propaganda negativa, quebra de sigilo e os inúmeros inconvenientes de um ex-empregado infeliz, desassistido e desempregado.

O serviço é mais contratado por profissionais em nível de coordenação, gerência ou diretoria e isso acontece porque vem bem a calhar com a necessidade desses gestores de sentirem-se controlando sua carreira e seu destino. Assumir as rédeas da própria carreira é uma necessidade cada vez maior dessas pessoas, que, assim, fogem de deixar ao acaso e às circunstâncias a parte mais importante de suas vidas, o trabalho, campo aberto da realização pessoal e profissional. Em termos práticos, um executivo deve avaliar quanto tempo deve passar numa função ou numa empresa e deve ele mesmo provocar e administrar mudanças. Nesse sentido, é inevitável admitir que um executivo pode mudar de empresa até oito vezes na vida (se passar 5 anos em cada empresa numa carreira de 40 anos), sempre construindo uma trajetória planejada, coerente, ascendente e próspera. Evidentemente, não se pode desprezar circunstâncias e indicações de amigos, mas algum planejamento e algum controle são úteis e às vezes necessários.

A empregabilidade de um profissional é algo difícil de medir, mas a idade, a formação e a experiência são os indicadores principais, lembrando que idade e experiência jogam um contra o outro. Em cada um desses três elementos há um mundo e uma vida a examinar, pesar e medir. O que há de humano em cada um de nós é também decisivo. Os momentos de transição de carreira são especialmente delicados (tanto para as empresas quanto) para os profissionais. O surgimento do novo é naturalmente precedido de alguma tensão, uma inevitável ansiedade e boa dosagem de incertezas. O profissional de recolocação funciona ora como uma âncora, ora como uma bússola neste processo. A maioria dos profissionais ainda dispensa este serviço e até foge da decisão de administrar a carreira, mas a realidade está mudando, o mercado de trabalho está evoluindo. As empresas já se adaptaram e tornaram muito rigorosos, completos e profundos os processos de recrutamento e seleção. O acesso às melhores posições está cada vez mais sujeito a filtros e controles. Cabe agora aos profissionais tomarem a mesma medida e também protegerem seus interesses, seu patrimônio e seu talento. Assim, todos saem ganhando.

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh


Escolhas certas ou vida dura

novembro 18, 2011

Por Israel Araujo

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Esta semana fomos procurados por um artista. Identificou a Véli na internet como uma empresa de consultoria em recursos humanos e colocou o problema sério que estava lhe tirando a tranquilidade. Em resumo, ele disse: sou ótimo no palco, faço meu trabalho com alta qualidade (sem falsa modéstia) e sinto sinceramente que deixo encantados aqueles que assistem a meu show; meu nome é conhecido e reconhecido, mesmo que eu não seja tão badalado. O problema, disse ele, é que minha carreira não está em ascensão, não me vejo subindo degraus, parece que estou patinando. E aí ele colocou a pergunta chave: o que devo fazer?

Esta semana também assistimos a um novo capítulo da novela Neymar-Barcelona-Real Madrid. Depois de muita onda sobre o “destino inevitável” do craque (ir para um grande time-empresa da Europa). Na quarta-feira, em entrevista coletiva, o nosso novo gênio da bola deu entrevista coletiva e ficamos sabendo que ele fica no Santos pelo menos até 2014. Esta semana, ainda, conversamos com um jovem ativista do movimento social. Estudante universitário, 25 anos, dedica seus estudos e todo o tempo disponível a entender as questões políticas e econômicas que provocam tanta injustiça e desigualdade social. Ele tem talento para ganhar um bom salário na iniciativa privada, mas aceita uma mínima ajuda de custo para dar o máximo de si para fazer o bem para os mais carentes. Ele disse: quero ter no terceiro setor a mesma sensação de sucesso e realização que os executivos do segundo setor experimentam. E sacou a pergunta: o que devo fazer?

Neymar contratou para cuidar de seus interesses e gerenciar sua carreira alguém em quem ele confia e com quem tem afinidade. E dividiu as funções: você cuida de administrar minha carreira e meus interesses e eu cuido do que acontece no campo, com a bola (as palavras não são dele). O profissional que administra a empresa Neymar S/A é seu pai. E seu pai mostrou excepcional competência, quando disse que o objetivo mais importante do seu trabalho é a felicidade do seu cliente, seu filho.

Esportistas, artistas e ativistas do terceiro setor são pessoas especiais. Elas parecem capazes de ser feliz se seguirem esta força que vem de dentro, do fundo da alma. São poucos os que se destacam e conseguem manter-se acima da linha média por um tempo suficiente para sentir, colher e consolidar a sensação de sucesso e a mais verdadeira felicidade. De corações e mentes generosos, costumam escolher as pessoas erradas para ajudá-las a administrar suas carreiras. Neymar deu muita sorte, ou mostrou excepcional competência também fora do campo. O “moleque” genial vai muito bem e parece muito feliz. A fotografia em um jornal fazia-nos todos pensar nele: em alto mar, sol a pique, de calção, num iate, com duas louras de biquíni belíssimas nas águas do Guarujá.

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  - twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste


Quanto vale o diploma?

novembro 4, 2011

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Em tempos de disputa entre os estudantes pelo acesso ao ensino superior, que afastou o velho vestibular e introduziu o jovem Enem (que, por sinal, já tem 11 anos), o Brasil alcança um índice de desemprego de seis por cento, em números redondos. É um número próximo aos quatro por cento, que caracterizariam o pleno emprego (situação em que o desemprego é apenas friccional, onde os quatro por cento são pessoas em transição rápida de uma posição a outra).

O ensino superior no Brasil tem, ainda em números redondos e estimados, um milhão e seiscentos mil alunos na escola pública e em torno de três vezes esse número na escola superior privada. Os empresários do ensino superior investem no setor com a perspectiva de que o mercado brasileiro continue crescendo rápido e esperam atender em dez anos trinta por cento dos jovens entre 18 e 24 anos, quando hoje apenas doze por cento deles estão nos bancos das faculdades.

Aos empresários de todos os setores interessa que o mercado ofereça em quantidade a mão-de-obra qualificada (se essa quantidade não subir, subirão os salários) e aos futuros executivos interessa qualificar-se para disputar as melhores posições e os melhores salários. A sociedade inteira espera que saiam do ensino superior cidadãos mais conscientes, mais competitivos e mais solidários, na medida em que o ensino superior lhes abra a mente, estimule o seu espírito e lhes eduque a sensibilidade.

O Brasil está sem experimentar crises há alguns anos e isso nos tem enevoado a capacidade de observar e criticar o tipo de progresso que estamos experimentando e o estilo de sociedade que estamos construindo. A prosperidade tudo nos faz perdoar, mesmo quando essa prosperidade não é de todos, mesmo quando ela é injusta e mal distribuída. Mas, por que estamos falando de ensino, superior, emprego, crise e modelo de sociedade? Estas coisas se conectam assim diretamente?

Os Estados Unidos, modelo de democracia e capitalismo, paradigma da liberdade com prosperidade, estão experimentando uma grave crise econômica nos últimos três anos. A taxa de desemprego deles bateu recorde e ficou em torno de dez por cento. Bastou isso para questionarem a validade de seu ensino superior, que, todos os rankings internacionais apontam, é o melhor do mundo.

Uma pesquisa mostrou que dos formandos do ano de 2010, lá nos “states”, vinte e dois por cento estão desempregados e vinte e dois por cento estão em empregos que a rigor não exigem diploma. Críticos cunharam o termo “bolha educacional” para criticar a ideia de que todos devem graduar-se e depois pós-graduar-se. Mas desemprego entre graduados é menos da metade da taxa geral do País. Bolha mesmo é a dívida dos pais e estudantes que apostam na universidade: um trilhão de dólares.

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH
israelaraujo@israelaraujo.com.br
Twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste


Na hora H, lealdade e engajamento

outubro 28, 2011

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Na última quinta-feira, dia 20 de outubro, nossa empresa de consultoria em RH participou de uma reunião com o principal executivo de uma multinacional instalada no Brasil, com escritório em Fortaleza. O tema da reunião era o fechamento de um contrato para seleção especializada de um profissional chave para a organização. A razão pela qual trago esse caso foi uma frase dita pelo presidente da empresa e que me chamou a atenção.

O caminho para preencher uma vaga numa empresa não é igual para todas as consultorias. Não anunciamos a vaga, num primeiro momento, e não buscamos o profissional nas pastas e arquivos que acumulamos ao longo de décadas. Cada indivíduo é único, assim também são as empresas. Portanto, não basta oferecer um Diretor Financeiro pós-graduado com 10 anos de experiência. Esse profissional pode ter realizado um excelente trabalho em sua empresa anterior, mas não é necessariamente adequado para outra empresa, ainda que vá exercer a mesma função.

Diante de tudo isso, nossa missão é conhecer a empresa e suas expectativas com profundidade, da mesma maneira como conhecemos cada um dos candidatos que passam pelas salas de entrevista com nossos profissionais. Assim, não buscamos o melhor profissional de um determinado banco de currículos. Ele pode ser o melhor daquele banco (e isso não é pouca coisa), mas pode não ser o indicado para atender o que a empresa precisa. Então, saímos em caça ao profissional ideal num banco de dados muito maior, o mercado inteiro!

A arte do hunting exige muita experiência e cuidado, mas principalmente responsabilidade. Não podemos simplesmente sair abertamente abordando profissionais das organizações e colocando seus cargos em risco (o processo de caça fica para outra coluna). Nós fomos chamados por essa multinacional não somente para buscar e contratar um profissional para eles. Fomos chamados para, além disso, garantir que os profissionais daquela determinada empresa não fossem abordados por headhunters. Na mesa de negociação, de repente, surgiu uma questão. É possível uma empresa ficar off limits de uma consultoria especializada em hunting?

Como bom executivo e experiente profissional, o cliente colocou esse item em perspectiva ao final da reunião. “Gostaria que minha organização ficasse isenta da abordagem dos seus profissionais”. Depois de alguma conversa e ponderações, ele acrescentou: “por outro lado, se meus executivos aceitarem uma oferta para sair é porque não estavam satisfeitos aqui”. Bingo. No final das contas lealdade e engajamento de um colaborador dependerão do nível de realização profissional e de quanto ele percebe fazer parte e ser importante para a empresa.

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste


Por falar em profissionalização

outubro 21, 2011

Por Israel Araujo

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Há duas semanas, um eminente ministro do Supremo Tribunal Federal fez um desabafo que mereceu pouco destaque na imprensa e na opinião pública. Ele disse: “O serviço público está um caos”. A afirmação surgiu no contexto de discussões sobre o orçamento do Poder Judiciário e sobre tetos salariais, portanto, feita sob pressão de circunstâncias. Mas nada disso diminui a sua gravidade. O pipocar de algumas greves e a iminência de outras acrescenta cores fortes ao cenário em que se situa o serviço público. Ora, se numa empresa privada, normalmente com quatro diretorias, meia dúzia de gerentes e algumas centenas ou milhares de operários, ampla liberdade para decidir e para demitir, o clima azeda e a produtividade cai, imaginem na administração pública.

O Brasil tem trinta e oito ministérios (eram doze nos anos cinquenta, eram 18 nos anos setenta), vinte e seis estados, mais de cinco mil e quinhentos municípios, tudo isso em mais de oito milhões e meio de quilômetros quadrados e uma população de cento e noventa milhões de habitantes. São estimados cinco milhões de servidores públicos nos três níveis. (No Ceará, estimam-se trezentos e dezoito mil servidores). A presidente Dilma Rousseff comprometeu-se em sua posse e nos primeiros dias de seu governo com duas bandeiras: a transparência com o dinheiro público e a profissionalização do serviço público. Ela acaba de assinar com o presidente Barack Obama um compromisso de liderar um programa de abertura do orçamento e da gestão pública. Com relação à eficiência da máquina pública, ela criou grande expectativa ao trazer para sua equipe o empresário Jorge Gerdau que ainda nada disse.

A população de um modo geral, e a juventude em particular, na Europa, no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos começou a mover-se de sua posição de comodidade e, usando as redes sociais, abriu uma temporada de protestos. O alvo dos movimentos ainda é incerto, mas tudo indica que a inércia está sendo rompida. No Brasil, também, mesmo que modestamente. Na televisão, um ex-governador do Piauí disse: “Ao assumir, reduzi o número de secretarias de vinte e seis para treze. E reduzi o número de cargos de confiança de doze mil para quatro mil”. Semelhante projeção fez um senador para o Governo do Estado de Rondônia, um Estado menor do que o Piauí. Imagine, caro leitor, eventual eleitor, o que estão fazendo outros governantes menos escrupulosos com o meu, o seu e o nosso rico dinheirinho. Nossos melhores homens públicos precisam também sair de sua posição de acomodação e inércia, e dar respostas s novas a velhos problemas. E a população, que quer apenas serviços públicos de qualidade, espera uma resposta mais inteligente do que o velho receituário neoliberal: arrocho salarial do servidor, terceirização e privatização. A presidente Dilma apontou o caminho: profissionalização. E já temos bons exemplos disso no próprio serviço público.

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  - twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste


As empresas possuem vários tipos de clientes

outubro 7, 2011

Por Israel Araujo

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Todas as empresas possuem vários tipos de clientes e não estamos apenas falando de quantidade e segmentação, mas de conceitos totalmente diferentes. Existem os clientes externos, aqueles para os quais a empresa presta serviços, vende mercadorias, ou realiza ambos. Esses são os clientes mais comuns e para os quais normalmente o foco e a publicidade é direcionado. Muitas vezes os clientes ficam sabendo de informações da empresa através da mídia antes mesmo dos seus próprios colaboradores.

E, por falar em colaboradores, existem também os clientes internos. Esses, na maioria das vezes não considerados como clientes, são os principais players para o sucesso de uma empresa. Afinal, são eles que vão idealizar, produzir e comercializar os produtos ou serviços, além de estarem à frente do cliente externo transmitindo a imagem da empresa. Também existe um terceiro tipo de cliente, os fornecedores. Podemos considerá-los assim, pois assim como hoje podem estar fornecendo, amanhã podem comprar. Também são formadores de opinião e servirão de referências para outros fornecedores oferecerem crédito para a organização. Mas, deixemos esse terceiro tipo de fora do nosso assunto de hoje.

É claro que o cliente externo é importante e, por que não dizer, fundamental para a sobrevivência de um negócio. Por isso, os gestores e marqueteiros focam toda a sua energia em atraí-los, atendê-los e fideliza-los. É algo que nunca vai mudar. Cliente é cliente. No entanto, os gestores mais competentes e atualizados estão começando a perceber que investir no cliente interno gera lucro. Muito lucro. Quando bem geridos, satisfeitos no ambiente de trabalho, reconhecidos e recompensados, deixam de ser simplesmente empregados e passam a ser realmente colaboradores. E, quando isso acontece, uma empresa de um único dono, passa a ter milhares se preocupando e dando o seu melhor por ela.

Não faltam exemplos de empresas que resistiram a fortes crises e sobreviveram a duras turbulências agindo em prol do seu cliente interno. A máxima que o cliente sempre tem razão, não pode mais ser utilizada de forma indiscutível. Seus clientes internos são pessoas exatamente iguais aos seus clientes. Aliás, fora da empresa, eles se tornam exatamente clientes externos. Entenda que, uma vez que o cliente interno está realizado e satisfeito, o cliente externo também estará. O colaborador sabe exatamente as expectativas e anseios do cliente externo, porque ele também é um deles, e assim dedica-se a tratá-lo com a atenção que ele merece e precisa.

Estamos presenciando, neste exato momento, uma crise na educação estadual. Falta gestão adequada de valorização e, principalmente, compreensão do trabalho do professor, cliente interno do Governo, que também é, ao mesmo tempo, seu cliente externo. Além de eleger seu próprio contratante, arca com os custos dele através de impostos. Nessa roda viva e confusa de personagens, quem é mais importante? E, mais importante, quem é seu cliente?

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  - twitter: @israelaraujorh


Mercado cria empregos; economistas destroem

setembro 30, 2011

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

A maioria das pessoas sensatas compartilha da opinião de que a proteção exagerada não contribui para o desenvolvimento adequado de um jovem, podendo impactar negativamente na formação do caráter e da personalidade daquele que será um dia responsável pela tomada das suas próprias decisões, e arcará com as consequências. O mundo inteiro testemunhou o desenvolvimento da Coreia e da China. Hoje potências mundiais entre as mais desenvolvidas, já foram, trinta anos atrás, mercados fechados e protecionistas. Resolveram abrir suas portas para o mundo. “Deixe vir a concorrência, vamos aprender com ela e motivar a indústria nacional a acompanhar as novas tecnologias”. O resultado todo mundo sabe: a China financia um terço da dívida interna americana e é o país que mais fabrica carros no mundo.

O que a maioria das pessoas não sabe é que apenas 44% dos carros fabricados naquele país são efetivamente chineses. O restante é estrangeiro, incluindo japoneses, alemães, ingleses, americanos e outros europeus tradicionais nesse segmento e depois distribuídos mundo afora, sem, obviamente, dizer onde foram fabricados. A abertura das fronteiras não gerou desaceleração da indústria; pelo contrário, a fomentou. Não espantou investidores, atraiu-os. Não gerou desemprego pelo produto importado; pelo contrário, gerou concorrência e empregos. E os salários cresceram em virtude da concorrência pela mão de obra.

Na última semana, o Governo Federal resolveu aumentar em consideráveis 30 pontos o IPI de carros importados. Para os menos esclarecidos, a medida protege a indústria nacional e garante empregos. Mas, para os brasileiros pensantes, essa cartada tem consequências desastrosas no curto, médio e longo prazo. Para começar, a medida gera insegurança em investidores no Brasil, pois os faz pensar duas, três ou mais vezes em colocar suas fábricas aqui. Afinal, uma medida tão circunstancial mostra o poder público demasiadamente sensível a argumentos e a interesses muito específicos. A desculpa é que os carros importados são muito baratos, mas a verdade é que os nossos é que são caros. Existe muito mais sob essa cortina de fumaça. Sobretudo, induz que os preços internos não subirão, mas, nada garante sobre isso; e dispensa a indústria local de pesquisar, avançar e melhorar.

Neste momento, o Brasil tem a mais baixa taxa de desemprego de sua história recente: seis por cento. Isso foi consequência de medidas de abertura da economia brasileira tomadas lá atrás. É engano pensar que isso é consequência da política econômica de hoje. Como disse (creio) Nelson Rodrigues, “o subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”. Vamos torcer para que o reflexo não seja tão negativo. Seria estranho o governo destruir empregos que o mercado criou.

Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh


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