Faça e, também, CONVENÇA

maio 28, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

José é um garoto de 6 anos. Apesar de não ser um bailarino nato, gosta de dançar. Com reboladas, praticamente, estáticas, no estilo ‘sem remelexo’, José adora chamar a atenção da família para fazer suas famosas apresentações, com direito a coreografias e passos ensaiados.

Sempre que uma música coreografada vira sucesso, lá está José com passos na ponta da língua… ops, dos pés.

Nas apresentações familiares, todos apreciam José. Sabem de suas limitações, que não tem o corpo tão solto, mas o apreciam.

Afinal, o que prendia a atenção da mãe, avós, tias, tios e primos de José? Ele, definitivamente, não era um pé de valsa.

Em um destes eventos – sim, as apresentações viraram um evento, José me contou que ele estava ensaiando uma nova música há dias e que ele era o melhor naquela dança. Nunca vi tanta propriedade em uma fala. Para José, ele era o melhor bailarino de todos os tempos.

Foi neste dia que encontrei a resposta. José convencia e prendia a atenção de todos porque ele acreditava no que fazia e, por isso, investia tempo em aprender e se aprimorar entre uma dança e outra.

É, minha gente, este garotinho tem muito a nos ensinar. Vamos aprender com José:

- AUTOCONFIANÇA: Receber feedbacks positivos a respeito de nossas condutas, escolhas e resultados infla o ego, motiva. Mas autoconfiança independe do exterior. Autoconfiança é provida da sua escolha de acreditar que você é capaz ou que pode tornar-se capaz, independente de limitações e contrapontos. Modelos e rótulos, infelizmente, aprendidos no decorrer da vida, são os principais limitadores da autoconfiança. Quando disseram que você era gorda na adolescência, você deixou de acreditar no seu sonho de ser modelo. Quando recebeu uma bronca de seu chefe dizendo que sua organização no trabalho era péssima, simplesmente, deixou de acreditar que um dia podia desenvolver esta competência. Quando todos riram de você porque escorregou na apresentação de final de ano, no ensino fundamental, deixou de acreditar que podia dançar.

Infelizes limitações do meio.

Uma criança, como José, que ainda é desprovido destes modelos, simplesmente (sim, é simples), acredita em si. E, com propriedade disso, convence os outros. Os tãos almejados feedbacks positivos, no caso de José, acontecem, naturalmente.

Ah… a autoconfiança das crianças é algo memorável! E já que não somos mais crianças, que passemos a driblar as limitações impostas por seus pais, por seus chefes. A decisão de a acreditar em você é só sua.

- TREINO: Todos somos passíveis de novos aprendizados. Agora que já restabelecemos a nossa autoconfiança, sabemos que de tudo podemos fazer. Há, no entanto, somente um ‘porém’ nesta jornada. Aprendizado é sinônimo de esforço, de treino.
O garoto José acreditava que era um bailarino. Mas para reforçar a ideia, treinava, fervorosamente. Cada coreografia nova, novos treinos. E quando chegava a hora das famosas apresentações familiares ele estava PREPARADO. Sim, ele sentia-se preparado. E dava um show. Mesmo sem remelexo, fazia o seu melhor. E convencia.

Amigo leitor, você quer uma promoção no trabalho? Você quer ser uma mãe melhor? Você quer fazer um arroz mais soltinho? Ou você quer melhorar seus relacionamentos interpessoais? Quer fazer regime?

Seja o que for, inicie o aprendizado e TREINE. Treine sem medir esforço. Invista tempo. É necessário dedicação. Fazer um dia e no outro não, não é se dedicar. É se enganar.

José ensaiou. Muito. E ao se apresentar, ainda não exibia perfeição, mas seu esforço convenceu o público.

- ATENDA ÀS EXPECTATIVAS: José sabia que agradava. Qual a mãe, tia, avó que não quer um menininho lindo fazendo graça e enchendo suas vidas de tanta emoção positiva? José, apesar de um garoto, sabe como agradar.

José, sem saber, cumpriu uma regra básica do mundo corporativo e social: as necessidades da clientela é o que rege o negócio. O fluxo 1 – Conhecer as necessidades do cliente (no caso de José, da família), 2 – atender as expectativas (José emocionava a família) e 3 – participar positivamente do meio (o garotinho era especialista em trazer alegria) é regra básica para conquistar o outro e convencer.

Você quer uma promoção, certo? Mas conhece as expectativas da empresa para com você? Sabe o que seu chefe espera de seu desempenho?

Contribuir, positivamente, para o meio (seja profissional, social ou familiar) é garantia de sucesso, meu povo!
Naquilo em que se propõe, para ser o melhor, precisa acreditar, treinar e atender às expectativas. Sim, assim, convencerá.

Tanto aprendizado em um só menininho! Sejamos Josés, então.

Abraços e até mais!

Kelly Cavalcanti Gallinari – Coach

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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Para que serve a Cultura Organizacional?

abril 16, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

O país Amarelo era famoso por suas particularidades. Lá, todos eram obrigados a usar a cor amarela. O tipo de roupa não importava, da mais comportada às mais ousadas, o importante e, imprescindível, era que a cor do país fosse respeitada.

Pincel era um garoto curioso e audacioso. Já com seus 18 anos, abusava da sua condição de adolescente e desafiava tudo e todos, o tempo todo. Seus pais tinham dificuldades em manter a ordem quando o assunto era Pincel. Mas ninguém esperava que o garoto iria tão longe.

O menino reuniu sua turma de amigos e desafiou todos a usarem camisetas coloridas quando fossem para a faculdade, no dia seguinte. Pincel vivia dizendo que estava cansado daquela mesmice ‘melão’. Melão era como os habitantes deste país eram chamados. Os amigos ficaram receosos mas não queriam mostrarem-se medrosos e, por isso, aceitaram.

O grande momento chegou:  As portas da faculdade se abriram e turma de Pincel entrou glamurosa corredor adentro. A faculdade parou. Todos olhavam perplexos toda aquela novidade. Em toda a história do país, nunca ouvira dizer de tamanha ousadia.

Pincel e sua turma desfilavam confiantes, com  a cabeça erguida, com um sentimento prazeroso de grandiosidade e vencedor. Eram únicos e diferentes. Todos, ao redor, estavam boquiabertos. Eles eram a grande atração.

Até encontrarem o guarda da escola.

Imediatamente, foram encaminhados para a diretoria e o presidente, mentor social e político do país, chegou em seguida. Estava apavorado.  Aquilo era mais que uma ousadia criativa, era uma ofensa.

Os amigos de Pincel estavam de branco, azul, verde e marrom. Pincel estava de vermelho.

A turma do garoto permaneceu na diretoria e Pincel foi levado para a detenção. As cores dos amigos de Pincel eram  diferentes e desafiavam os olhos dos habitantes daquele país. Eram diferentes e passaram a gerar curiosidade de todos. Eram cores bonitas e, apesar do susto imediato, muitos começaram a levar em consideração a possibilidade do colorido. As outras cores não era o convencional naquele país, mas não agrediam os valores do país.

Pincel, diferente dos outros, foi para detenção porque usava vermelho. Na história do país, o único momento delicado e triste fazia alusão a uma guerra que vivenciaram com o país Borgonha. Neste lugar, tudo era vermelho. O país amarelo levara uma surra nesta guerra e muitos habitantes foram, terrivelmente, mortos.  Muitas mulheres ficaram viúvas e desamparadas. Desde, então, o vermelho foi IRREFUTAVELMENTE banido.

Pincel teve o mesmo destino. Usar vermelho era atentar contra o país. Era ser contra. Assim como a cor, Pincel foi banido do país.

Quando somos contratados por uma mpresa, assumimos o papel de defensor de sua cultura organizacional. As titudes, comportamentos, objetivos e resultados precisam, e devem, estar rientados e congruentes com o que a empresa espera. Quem age ao contrário, acilmente, se dá mal.

Apesar da teoria ser simples, infelizmente, esta intersecção de valores (pessoais e da empresa) pouco ocorre. Em alguns casos, a empresa não comunica sua cultura organizacional; em algumas organizações, isto nem existe. Em outros casos, o funcionário não se dá conta da ‘história’ da empresa, não faz questão de conhecê-la e interpretá-la e passa a não agir conforme o esperado.

Já deparei-me com colaboradores ue reclamam a postura do chefe e da empresa, dizem-se prejudicados e quando uestionei sobre se estava seguros da cultura organizacional e se tinham erteza de que, realmente, estava agindo a favor dela, ouvi o silêncio como resposta.

Você conhece a cultura organizacional de sua empresa. Sabe em qual direção deve seguir para ter sucesso dentro dela? Sabe em qual rumo sua ousadia, seus projetos inovadores devem seguir? Sabe qual a cor proibida dentro de sua organização?

Não adianta querer inovar, implantar ferramentas de mercados, ideias de outras empresas se tudo isso não for compatível com o que a sua empresa quer.

Aqui não cabe certo ou errado. Cada empresa designa sua orientação, sua visão e missão de trabalho. Ela opta, e, assim acertado, seguem, colhendo os frutos e as consequências. Talvez, em um outro país, o vermelho seria aplaudido. No país Amarelo, foi condenado.

Se não conhece a história e a cultura organizacional de onde trabalha, corra e se informe. Talvez esteja remando contra sem se dar conta, o que não é benéfico para ninguém. Saber e vivenciar a cultura organizacional da sua empresa e constuir uma carreira sob alicerces firmes.

Viver na mesma orientação da cultura organizacional é evitar ser banido.

Abraços e até mais, minha gente!

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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Sérgio, o carneiro, e sua lã

abril 9, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

“Chegou o verão e Sérgio já demonstrava sinais de irritação. É nesta época que os criadores tiram a lã das ovelhas e Sérgio, o carneiro, um dos bichos mais velhos da fazenda, já não aguentava mais passar por isso. Anos após anos, Sérgio ficava peladão sem entender o motivo. Apesar da lã nascer novamente no decorrer do próximo ano, Sérgio achava tudo aquilo uma sacanagem das grandes, já que imaginava que seu dono fazia aquilo por diversão.

Sérgio, nu, não tinha condições emocionais de reivindicar nada.

Mas naquele verão, Sérgio decidiu mudar sua vida. Não queria mais passar por tudo aquilo. Daria algum jeito para que não tirarem suas vestes. E assim, ele fez.

No dia do corte da lã, Sérgio de um jeito de sair da fila e se misturar aos bolos de lã que já haviam sido cortadas das ovelhas. Ali ficou, escondidinho até o anoitecer. Se saísse dali, os criadores viriam que ele era o único com lã e, na certa, fariam ele passar pelo corte. Assim sendo, Sérgio preferiu dormir ali mesmo até que pensasse em como fugir da fazenda.

O que não esperava é que o dono da fazenda levaria as lãs para serem vendidas ainda naquela noite e, juntos com as lãs  ortadas, Sérgio foi para o caminhão que seguiria para a cidade.

Ao chegar na confecção que compraria as lãs, o caminhão passou por uma vitrine com roupas e acessórios lindíssimos. Na loja, tinha gente muito elegante vestindo roupas lindíssimas. Sérgio ficou tão encantado com o que viu que esqueceu de se camuflar no meio das lãs e logo foi descoberto pelo dono da fazenda.

Como o dono da fazenda já havia feito a venda das lãs, não fez o corte de Sérgio, que ficou felicíssimo naquele momento. A lã era dele, só dele.

Os meses foram passando e a lã da galera foi crescendo. As lãs novas eram lindas, vistosas e sadias. Sérgio notou que sua lã estava velha, feia e fedida. Já era tanta lã, que era fácil encontrar resquício de fezes e bichinhos. No outro dia, Sergio foi se coçar e saiu um ‘furão’ correndo, que tinha feito moradia por ali.

Sérgio lamentou-se com sua amiga Catarina, que disse ter satisfação em saber que produzia lã para que muitas pessoas pudessem ficar ainda mais bonitas. Catarina tinha prazer em doar-se para fazer o outro melhor. Sérgio lembrou-se da vitrine da loja da confecção. Era tudo feito com a lã das ovelhas. A amiga de Sérgio disse, ainda, que o corte fazia com que sua lã crescesse ainda mais bonita no próximo ano.

No próximo verão, Sérgio, que tinha lã para abastecer uma confecção inteira, viu toda sua veste ir para o lixo. Acumulou tanto que estragou. Não se renovou.

A ovelha Catarina era ela, sua lã e a vitrine. Que orgulho desta ovelha.

E Sérgio? Era só Sérgio e sua lã. Nada mais. Que triste.”

Já se depararm com lideres que não dividem seus conhecimentos, informações privilegiadas com medo de que seus liderados se destacassem mais do que eles? Na maioria das vezes, acabam sozinhos. E pais ausentes, que minimizam seu dever de repassar e assegurar boas condutas com o objetivo de formar bons cidadãos? Não são bons pais e formam filhos despreparados para a vida.

Meu povo, doar o que há melhor em você é o mesmo que abrir espaço para a própria renovação. Acumular lã velha faz criar bicho, faz apodrecer. Ao passo que compartilhar te faz renovar. Quando você repassa um conhecimento, um alimento, uma blusa, o que for, você fica sem. Fica pelado. E te cria a necessidade de repor. E esta reposição é a chave da renovação, do seu crescimento. E o ciclo está criado: neste ponto, você está pronto para a próxima doação.

É gostoso acompanhar o crescimento, a maturação de alguém e perceber que ele veste sua lã, ver que você contribui. É bom ver sua lã na vitrine.

E não confundam: não é você na vitrine, é a sua lã.

Abraços e até mais.

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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Descubra se você é o Super-Homem

março 19, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

Não, você não é o Super-Homem. Apesar de óbvio e simples, chegamos, aqui, em um dos grandes impasses da construção humana.

Já se pegou tentando fazer várias coisas ao mesmo tempo e, no final, não dando conta de nenhuma delas? Já se culpou por achar que não tem tempo suficiente para realizar as atividades do trabalho, ir à academia, estudar, criar os filhos e ser uma esposa exemplar? Ou ainda por não conseguir amenizar o problema de alguém que gosta muito? Já fico chateado por não conseguir fazer horas-extras o suficiente para comprar aquele carro dos seus sonhos porque o seu corpo não aguentou de cansaço?

Tem muita gente tentando voar e ter visão de raio-X e se frustrando, imensamente, por não conseguir. E, neste ponto, descobrem, felizmente, que não somos super-heróis e que podemos não saber, não entender e não conseguir. E admitir isso não deve ser sinônimo de ostracismo e sinalização de uma condição menor. É, na realidade,  o primeiro passo para que entendamos que estamos em constante aprendizado e que admitir fraquezas não é desmerecimento, é o sinal propulsor na busca de se tornar alguém melhor.

Pensemos em nossas condições que, apesar de humanas, podem e devem ser direcionadas para o positivo:

Limitações – Temos limitações. Físicas, emocionais, intelectuais, sociais, políticas. Tem gente que se limita a sonhar. Tem gente que tem limitações de oportunidades. Mediante isto, levanto duas grandes frentes:

1 – A limitação não deve ser final da estrada. A limitação deve ser, no máximo, o momento de traçar passos para a conquista do desejado. É no momento da constatação da limitação que devemos nos permitir pedir ajuda e buscar, com calma,  conhecimentos e situações que nos levem até onde queremos. Está com dificuldades de ser pai? Troque ideias com amigos ou procure um especialista. Não consegue administrar a dor da perda de alguém querido? Peça socorro, não é vergonhoso. Não consegue entregar o resultado esperado pelo seu chefe? Converse com ele e pergunte, mais uma vez, como se faz aquela atividade; peça que ele o acompanhe na próxima execução; pesquise na internet a respeito.

2 – Respeite-se. Ir além de suas limitações antes do passo 1 é o mesmo que se agredir. Não faça além do que pode. Vai se machucar e se frustrar, o que pode, inclusive, fazer com que desista. E desistir, sim, é o final da estrada.

Expectativas – Quanto maiores são as expectativas, maiores serão as frustrações. Isto acontece porque a partir do momento que considerar-se um Super-Homem, qualquer coisa que faça errado, por menor que seja, fará com que se sinta mal. Irá cobrar-se. Irá exigir de você algo sobre-humano. Oh, minha gente, você é humano. Exigir algo sobre-humano é irreal.

Controle – Permita-se organizar seu dia-a-dia limitando-se às atividades que estão sobre seu controle. Exigir que o vizinho seja educado com você, que seu chefe seja profissional o tempo todo, que seu filho tire nota 10 em todas as provas, que sua mãe viva para sempre e que você consiga atravessar o trânsito do centro de São Paulo em 10 minutos no horário de pico é o mesmo
que nada. Digo isto porque situações como esta não estão sobre seu controle, acontecem e têm resultados que fogem da sua vontade. É necessário admitir que não consegue controlar o mundo e que precisa focar-se em como  reagir mediante aos fatos que o mundo lhe entrega. Isto sim é inteligente e eficiente.

Preparo – Já que temos a condição de seres errantes e em processo de construção, é muito interessante e sadio que nos preparemos para situações que o mundo possa nos entregar. Se hoje sou apenas um estagiário mas quer ser um grande líder da organização, comece a conviver com pessoas que possam lhe agregar informações úteis, leia mais sobre o assunto, tenha atitudes que lhe direcionem para este objetivo. Se pensa em ter filhos um dia, observe com mais afinco famílias próximas que  têm crianças. Perceba o que é positivo e negativo neste tipo de relação. Se tens medo de perder alguém querido, ame-o o tempo todo que puder, assim, se algo ocorrer, apesar da dor, saberá que ofertou o melhor de si.

Preparar-se é minimizar, ou quem sabe, sanar o erro. E isto é formidável.

É, meu povo, super-heróis, não somos. Paciência. Mas podemos ser super-humanos se buscarmos sermos melhores, todos os dias.

Abraços e até mais.

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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O segurança do banco

março 12, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

É tanta gente por aí. Gente de todo tipo e todo gosto. Gente que gosto e que desgosto. Mas aprendi a não desprezar o que não aprecio. Isto é julgamento burro. O que não aprecio pode, no mínimo, ensinar o que não fazer e, se olhado no detalhe, pode ter riquezas escondidas. Mas nem todo mundo tem tempo e paciência para este olhar detalhado.

Apreciem a história de um segurança  de banco. Sim, até pelo ofício que tem, ele olha nos detalhes, sempre. E tem muito
o que dizer.

Eis nosso querido Ronaldo:

“Sou Ronaldo, o segurança do Banco Itu. Trabalho aqui há 34 anos e sou um cara realizado. Hoje, coordedo a equipe e sempre estou de olho para que tudo saia ‘nos conformes’. Mas melhor que o trabalho, são os clientes. Os clientes são excepcionais. Sim, nestes 34 anos, aprendi técnicas de segurança como ninguém, mas, mais do que isso, aprendi a ser gente de verdade. Com quem? Com os clientes do banco. As filas são riquíssimas em aprendizados. Alguns inusitados. Vou contar para vocês.

Regrado e organizado, todo dia 5 de cada mês, às 10h, Peterson vai ao banco para pagar suas contas. Há 28 anos, um hábito irrevogável. Sempre é o primeiro da fila. Teve um dia, que quando chegou há havia outro em seu lugar. Peterson foi embora e voltou no dia seguinte. Não soube lidar em ser o segundo. Para mim, algo banal. Para Peterson, algo inaceitável e, assim, eu o entendi.

Assim como Peterson, outras personalidades aparecem por lá na mesma data e no mesmo horário. A fila do banco tornou-se algo familiar. As mesmas pessoas, objetivos semelhantes e até troca de confidências e histórias. Uma história que começa hoje, termina na fila da semana que vem. Ou na outra. Algumas não terminam nunca.

O melhor amigo de Peterson, lá na fila do banco, é o Dr. Mendonça, um advogado aposentado com manias bem particulares. Dr. Mendonça sempre aparece neste dia para receber sua aposentadoria. Todo mês reclama que o valor é baixo e que é impossível viver com tal salário. Pete não entende as reclamações repetitivas, pois Dr. Mendonça é saudável, ainda novo e poderia ter uma nova ocupação. Com certeza, aumentaria a renda mensal e preencheria a cabeça, que não é pequena, com o novo. Mas Dr. Mendonça é, realmente, ressentido e conformado. Culpa o Estado pela ‘ninharia’ que recebe e prefere atribuir suas frustrações ao governo. É a desculpa dele para ser infeliz.

Tem também a Srta. Perla. Ah, a Srta. Perla. Uma belezura de mulher. Ela é secretária do clínica odontológico aqui da esquina e vem sempre quitar os boletos. Ela é tímida. Tem potencial, mas é tímida. Ouvi ela dizendo para uma amiga, que veio com ela à fila, que está terminando a faculdade de Turismo. Neste mesmo dia, ela contou que não estava contente com o emprego, mas que aturava porque não queria perder tempo procurando outro trabalho com o receio de não se dar bem por lá. Srta. Perla é acomodada e tem medo do novo. Tão nova! Esta na clínica há 5 anos e lá, mesmo com pouco salário e com uma chefe mal educada, tinha certeza que sabia fazer as tarefas direito e que nada sairia errado.

Figurinha carimbada é a Dona Tita. Apesar de vim todos os dias ao banco, não sei o nome dela ao certo. Dona Tita é como é conhecida por aqui. Ela mora sozinha e nem tem conta no banco, mas aparece por aqui diariamente. Ela chega, cumprimenta todo mundo e, às vezes, traz bolo que ela mesmo confeccionou. Dona Tita perdeu todos os familiares, uns morreram e outros foram embora e, desde então, mora sozinha. Desde os 64 anos, convive com a notícia de que tem uma doença ruim. Ela não comenta muito, ouvi isso de um outro segurança aqui do banco. Hoje, com seus 72 anos, tinha muitos motivos para ser infeliz, mas Dona Tita é a mulher mais feliz que conheço. Ela resolveu ser feliz. Bacana isso, não é? Ela, simplesmente, decidiu e, assim faz. Mora vizinha do banco e resolveu fazer do povo daqui seus amigos. Todos a adoram. Quando vai embora, caminha no parque, duas quadras daqui, por recomendação médica. Sempre está a cantar e a sorrir. Por opção.

E o Malandro? Malandro é um cara engraçado. Ele é vendedor de carros da loja do centro. Já devem ter entendi o apelido, não é? Eu já comprei carro lá e, realmente, é preciso estar atento às negociações. Malandro é mais que malandro, é ninja no jogo de números e convence todo mundo que a compra, mesmo com preços horrendos, é vantajosa. Este é meu camarada Malandro. Ele aparece no banco umas duas vezes por mês. Vem fazer depósito dos lucros da loja. É impossível deixar de notar sua presença. Usa roupas chamativas e adora bater um papo. Rápido e com argumentos duvidosos, mas totalmente convincentes. Ganha clientes ali mesmo na fila do banco. Malandro é bom de lábia e acredita no que vende. Independente do que vende. É, ele convence.

Já vi estes e muitos outros passarem por aqui. Às vezes, queria ser mais do que o segurança. Queria poder interferir. Ora ajudar, ora colocar limites, ora incentivar. Participar. Mas sou só o segurança. Escuto e vejo.”

Abraços e até mais, minha gente!


Aprenda a RECEBER um feedback

fevereiro 27, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

Que o feedback é um instrumento importantíssimo e imprescindível no processo de desenvolvimento profissional, não há discussões. Todos que já passaram por treinamentos de liderança, certamente tiveram instruções de como aplicar esta ferramenta para auxiliar seus liderados/pares a se tornarem profissionais melhores.

Técnicas de comunicação, etapas, controle de emoções, ambiente, positivo e negativo, tudo é bem discutido para que o ‘tiro’ não saia pela culatra. Inclusive, comento estes pontos no texto “Hora da Bronca” .

Refletindo sobre o assunto enquanto construía um novo projeto de Desenvolvimento Profissional, pensei que mesmo utilizando todas as técnicas conhecidas para um feedback eficiente, seria ainda mais tranquilo utilizar esta ferramenta se as pessoas estivessem preparadas para RECEBER uma crítica. Especialmente, as negativas.
É isso, meu povo. Tem muito feedback que não consegue fazer a ‘curva do rio’ porque quem está ouvindo a crítica não tem o menor interesse em saber o que o outro tem a dizer sobre ele. Pessoas, absolutamente, irredutíveis em suas crendices e comportamentos. Pessoas, absolutamente, inaptas ao desenvolvimento. Pessoas, mesmo sem saber, adeptas à estagnação da ignorância.

1 – Quem avisa, amigo é
Imagine que, de uma hora para outra, começou a ter mau hálito e não percebeu. Prefere que um amigo lhe avise ou prefere que as pessoas fiquem comentando pelas costas toda vez que esbarrar em alguém? Prefere que um amigo lhe dê um toque sobre o assunto, ou prefere perder um flerte porque na hora H o outro percebeu o odor desagradável vindo de você? Ter bom hálito, além de saudável em primeiro lugar, é um fator social importante e descumprir esta ‘regra’ é, no mínimo, danoso para todos os envolvidos.
Na empresa, não é diferente. A empresa tem regras. Todas tem. Se você não conhece as da empresa em que trabalha, corra para obter estas informações, pois são elas que delimitarão se está tendo uma conduta adequada ou não. São estas regras corporativas que definirão se está ou não infringindo acordos estabelecidos entre empregado e empregador.
Assim sendo, se alguém (chefe ou colega de trabalho) aparecer para lhe indicar um comportamento errôneo, incoerente com as regras, no mínimo, agradeça. Significa que você, sozinho, não tinha percebido, então, a comunicação, também chamada de feedback, veio em boa hora.

2 – Qual o problema em errar?
Errar não é sinônimo de fracasso. Errar faz parte do desenvolvimento humano. E o segundo passo é ainda melhor: assumir erros é grandioso e motivador de mudanças positivas. Assim sendo, quando receber uma crítica negativa, antes de atirar pedras, pense que se o erro existiu, não cometeu nenhum pecado capital. Como todo mundo, está em processo de melhoramento. E se está recebendo o feedback, é porque ainda apostam em sua melhora. Caso contrário, não estaria recebendo um feedback, já teria sido demitido. Valorize isto.

3 – Sim, você pode contestar
Se tiver dúvidas sobre o que falam de você, questione. Com tranquilidade, peça argumentos. Entenda que os argumentos, tantos seus quanto de seu chefe/par, sempre terão de ter embasamento na estratégia de trabalho da empresa e nos acordos que pré-estabaleceram no início de suas atividades. Se quem lhe fala tiver uma retórica incoerente com estes fatores, convide-o a investigar as regras da empresa e, juntos, decidirem quais são os comportamentos adequados. Por isso, estar por dentro da MISSÃO, VISÃO E VALORES da corporação é imprescindível. Se este não for o caso, discutir apenas porque foi contrariado não é a melhor saída. Falar do que você não sabe é uma atitude leviana e improdutiva. Mesmo que não concorde, ouça, agradeça e, depois pesquise mais sobre o assunto. Apoderado de informações, poderá discutir com seu líder/par o assunto novamente.

4 – Feedback é um presente
Pense no feedback como um presente. Recebê-lo é uma honra, acredite, pois ele ainda é raridade. Em muitos projetos que participei, um dos principais complicadores era a falta do feedback. Encontrei muitos profissionais totalmente desamparados de informações a respeito de seus comportamentos e que, por isso, estavam agindo em desacordo com as regras da empresa e prestes a perderem o emprego. Alguém lhe ofertou um feedback? Agarre-o.

5 – Impressões que causa no outro
Entenda isso: você é responsável pela impressão que causa no outro.
É comum eu ouvir de profissionais que receberam feedbacks negativos e que não concordaram porque, apesar da atitude inadequada, não foi aquilo que quiseram dizer ou que queriam expressar. Os outros te enxergam o que você mostra na real e não suas intenções. Então, não fique alterado caso alguém diga que você é arrogante. Talvez você não queria ter sido, mas suas atitudes, no universo que quem lhe falou, a arrogância predominou.

6 – Controle as emoções
Esmurrar a parede, dar socos na mesa, chorar descontroladamente, xingar. São todos comportamentos pertinentes a quem tem nega o próprio desenvolvimento. Pense comigo, ter atitudes como estas vai apagar a situação? Caso tenha mesmo tido uma atitude errônea, vai conseguir voltar atrás? Não. Então, racionalize e pense dali para frente. Segure firme e forte a oportunidade de mudança que ainda estão de dando e bola para frente. Um bom plano de ação, estruturado e acompanhado, é a solução.

Pois é, minha gente. Dar feedback precisa de técnica, responsabilidade e atenção, mas saber receber é um dos pontos altos de um profissional de alta performance. Tem muita gente perdendo oportunidades na empresa por não aceitarem opiniões a seu respeito, por não aceitarem possíveis mudanças de comportamento.
Se você quer ser dono de verdades absolutas, monte sua própria empresa, contrate você mesmo, compre de você e venda para você.

Relacionar-se é permitir aprendizados. E aprendizados requerem mudanças. Quando temos alguém para nos ajudar neste processo, temos de nos sentir agraciados. Então, que venham os feedbacks.

Abraços e até mais, caro leitor.

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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Como livrar-se de maus hábitos

fevereiro 22, 2012

Por Kelly Gallinari

Se está em busca de mudanças, alterar hábitos e comportamentos é essencial. E nesta busca, muitas vezes, inclui livrar-se de maus hábitos.

Como Coach Profissional, acompanho e oriento a missão implacável de profissionais que lutam pelo aperfeiçoamento profissional e humano. Nesta caminhada, sempre há um obstáculo grande e nebuloso para muitos: deixar velhos costumes para trás e substituí-los por hábitos que colidam com os novos objetivos e anseios.

Parar de fumar, começar o regime às segundas-feiras, ser mais tolerante, ter mais paciência, ser mais organizado, aprender dizer não, ser mais confiante, iniciar e terminar uma tarefa. Para tudo que me proponho, minha gente, é necessário assumir hábitos que apoiem a meta e não o contrário.

Se quer começar um regime, evite comprar guloseimas. Na presença delas, talvez seja mais difícil evitá-las. E quando for a uma festa regada de brigadeiros? Bom, aí pense se comer todos aqueles docinhos te aproximará ou te afastará da sua meta. Não quer se sabotar, quer? Preguiça de ir à academia? Pense que sem ela demorará o dobro ou o tempo para perder os quilinhos que deseja.

Veja como driblar situações que podem fazer com que tenha dificuldades em adotar novos costumes:

1 – Prazer x Satisfação – Primeiramente, vamos diferenciar estes termos para que possa fazer suas escolhas. Ambos são consequências da conquista de algo, no entanto, agem diferentemente em nossas vidas. Vou especificar: Prazer é algo intenso mas momentâneo e de curta duração; tem consequências, especificamente,  físicas (suor, alteração do batimento cardíaco, circulação e pressão do organismo). Estas conquistas estão relacionadas a objetivos situacionais, ou seja, que independem de projetos de longos prazos. Satisfação é a sensação positiva e tranquila da conquista, é duradouro e permanente; pode ter
consequências físicas mas sua principal alteração no organismo é intelectual; torna-te uma pessoa melhor. Geralmente, estas conquistas estão diretamente ligadas aos seus valores pessoais. Estas conquistas reforçam sua essência e isto reafirma sua identidade.

Importantíssimo sabermos diferenciar estas questões. Digo isto porque muita gente fica presa aos velhos hábitos simplesmente pelo prazer que eles dão. E como muitos confundem prazer com satisfação, sentem-se felizes no momento de exercer o antigo costume, e, no momento seguinte, sente-se culpado por tê-lo feito. E aí, entram em um círculo vicioso de prazeres momentâneos, não conseguindo avançar para a plena satisfação.

Todos devem conhecer alguém que tentou parar de fumar e a dificuldade que isto lhe trouxe. Acontece porque colocar o cigarro na boca traz-lhe prazer. É apenas um momento, mas é gostoso. O corpo reage. Mas também acredito que a maioria deve saber de um outro alguém que conseguiu parar de fumar e a satisfação que isto lhe trouxe. Um momento memorável.

Conseguem visualizar a diferença?

Por isso, amigo leitor, sempre que tiver dificuldade de exercer o novo, pense qual dos hábitos (o velho ou o novo) lhe traz satisfação e faça sua escolha.  Quer viver de prazeres com prazo de validade ou na satisfação de tornar-se alguém melhor?

2 – Obstáculos – Nem sempre o mundo conspira a nosso favor. Por isso, é necessário prevenir-se das armadilhas que podem lhe tirar do caminho de conquistar o novo. Se pensa em mudar algum hábito, estruture a mudança. Uma boa tática, é colocar no papel. Isto força você a pensar e concentrar-se no assunto, o que lhe garantirá desenhar um plano de ação eficiente. Desenhado o plano de ação, pense em TODOS os obstáculos que podem lhe distrair de sua meta.  Quando digo todos, são todos mesmo.

Vamos pensar em alguém que, no passado, passou por um acidente de trânsito e pegou trauma de dirigir. Esta pessoa está empenhada em voltar ao volante e precisa driblar o hábito do medo. Ao desenhar o plano de ação, é necessário pensar nos obstáculo que poderão fazer com que ela não cumpra as etapas do plano, como por exemplo, o fato de sempre tremer as pernas quando senta no banco de motorista. Precisa controlar as emoções. No entanto, esta pessoa sabe que em momentos que passou por  extremo estresse em sua vida, cantar aliviava a tensão. Pronto, este será o plano de ação B para este possível obstáculo.

Voltemos ao exemplo do regime. Se sabe que um de seus obstáculos é a padaria que tem na esquina de sua casa, evite este caminho. Pelo menos até que o hábito de comer menos já faça parte de sua rotina.

Da mesma forma, crie um plano de ação para cada possível obstáculo nesta sua mudança de hábito. Assim, minimizará os imprevistos e isto lhe trará mais segurança na mudança.

Pensar nos obstáculos é fundamental!

3 – Repetição – Um novo hábito só é concebido se for, insistidamente, repetido. Tente fazê-lo por 30 dias consecutivos e sem vacilo. Isto abrirá caminho para o novo. Tente. Sempre que pensar em vacilar, pense na escolha entre o prazer e a satisfação! Conquistar novos hábitos requer disciplina.

4 – Tempo – Respeite seus limites. Não imponha um prazo irreal para a conquista do novo hábito. Gerará frustração e a desmotivação na busca da conquista.

Mudar de hábito faz parte do desenvolvimento humano. Viver é, realmente, prazeroso. Melhor que isso, só conquistando memoráveis satisfações.

Abraços e até mais, meu povo!

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

www.ecoach.com.br


Você sabe esperar?

fevereiro 13, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

Velocidade é a palavra de ordem. Quanto mais rápido conquistar uma promoção, aprender a falar inglês, ter a comida na mesa, ter alguém para passar sua roupa, fast food, ser presidente da empresa aos 23 anos, quanto mais rápido tudo for, melhor. Afinal de contas,  ninguém quer perder tempo.

Velocidade passou a ser, inclusive, vantagem competitiva no mundo corporativo. Quanto mais veloz o produto for entregue, melhor. Quanto antes entregar suas tarefas, pontos positivos para você. Hoje, o Tempo, ou melhor, o menor Tempo já á capaz de determinar sua efetividade profissional e pessoal.

Concordo. Administrar suas atividades de forma a juntar velocidade + eficiência é saudável e necessário. Poucos conseguem, por isso, conquistar esta proeza é motivo de comemoração. No entanto, temos que admitir que nem não é possível controlar tudo que acontece em nossas vidas. As atividades gerenciáveis podem, e devem, passar por este crivo da administração do tempo mas o que fazemos com o que não conseguimos controlar? O que devemos fazer com situações onde o controle está na mão de terceiros? O que fazer quando é, realmente, necessário aguardar?

Pois é, meu povo, quando é necessário ‘esperar’, falta paciência, a ansiedade fala mais alto e muitos adoecem. Isto porque a principal consequência deste hábito quase que insano de fazer tudo rápido e de jeito próprio é que ‘esperar’ tornou-se sinônimo de algo ruim, ultrapassado e, quiçá, penoso. Quando é necessário esperar, todos sofrem.

Um exemplo clássico é a Geração Y, tão comentada e estudada. Este pessoal é uma caracterização nata do que estamos falando. E o engraçado, e preocupante, é que toda vez que eu vejo/leio algo sobre esta turma, sempre há dicas de como a empresa e/ou o líder devem se moldar a esta geração e, raríssimas vezes, vi gente investindo tempo em ensinar para este pessoal que ‘esperar’ também é uma competência valiosa.

Já acompanhei profissionais de RH’s enlouquecidos criando estratégias de retenção para a Geração Y, focando, principalmente, nesta necessidade de tudo acontecer rapidamente na vida deles. Tentativas irreais e, muitas vezes, danosas. Alimentar este hábito é o mesmo que afirmar que eles têm o controle de tudo nas mãos e que tudo deve acontecer
no tempo deles, do jeito deles. Isto é mal-educar.

Não sou contra planos de retenção para a Geração Y. Temos que pensar, sempre, em como reter talentos, já que estes são raros. A questão que levanto, aqui, é se estamos, ou não, alimentando maus hábitos. Entender esta turma é uma coisa, aceitar seus comportamentos ruins é outra. Reeducá-los talvez fosse uma boa proposta.

A paciência, minha gente, apesar de pouco ensinada e praticada, atualmente, é e sempre será uma virtude valiosíssima. Digo o porquê: não temos o controle de tudo que acontece em nossas vidas e o mundo não gira em torno do nosso umbigo. Esperar sempre será necessário. Uma hora ou outra. E admitir isso é como tirar um piano de cima das costas. É o primeiro passo para que comece a exercer um ‘esperar’ em paz. Um esperar otimista. Um esperar investindo todo o seu tempo em ações e atitudes que colidam com seus anseios, mesmo que a decisão esteja na mão de outra pessoa.

Vai ter que esperar a data da entrega do exame para saber o resultado, vai ter que esperar os dias necessários para saber se passou na entrevista de emprego, vai ter que esperar nove meses para conhecer o rostinho do seu filho, vai ter que esperar a sua vez para falar na reunião, vai ter que esperar na fila da padaria, vai ter que esperar o prazo de 100 dias para retirar seu carro, já que optou pelo importado. Vai ter que esperar performar para, depois, ser reconhecido.

Agora a decisão é sua, caro leitor. Ou espera sofrendo, angustiado, ou espera em paz, agindo de forma positiva para que quando o esperado acontecer, você esteja completo na entrega deste acontecimento.

Paciência, minha gente. Vamos exercitar.

Abraços e até mais,

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

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Colocando boas práticas em prática

fevereiro 6, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

Você tem repertório suficiente para resolver seus problemas. Ocorre é que, às vezes, buscamos respostas somente no meio e se esquecemos de acessar a nossa vida para resgatar soluções já experimentadas e aprovadas.

Convido vocês, caros leitores, a conhecerem a história de Cirço e, em seguida, fazerem um exercício de quais aprendizados da sua vida pode recuperar.

O que aprendeu cuidando dos seus irmãos que pode usar para liderar sua equipe? O que aprendeu quando parou de fumar que
pode usar para enfrentar as mudanças repentinas no trabalho? O que fez para se recuperar do fora que levou da sua ex-namorada e que agora pode usar para conseguir lidar com a notícia de que sua promoção só sairá o ano que vem? Pense
em como conseguiu contar para seus pais que repetiu de ano para poder dar aquela notícia que não vai agradar seus liderados.

Enfim, eis o que contam sobre Cirço:

Este moço morou na roça durante 30 anos e sempre teve uma vida simples. Aprendeu com o pai e o tio a cuidar da horta e das poucas cabeças de gado que tinham no sítio da família. Viviam da venda de legumes e verduras. Os gados não geravam renda, mas todos eram apaixonados pelos bichos que eram tratados como cães domesticados. Eram estes gados, também, que davam o leite de todo dia e faziam o banquete de carne nos dias festivos.

Vida simples. Vida boa.

No dia do seu 30º aniversário, Cirço e sua família receberam a visita de uma tia e madrinha da cidade grande. Tia Armelinda era proprietária de uma empresa de logística e convidou Cirço para trabalhar com ela.

Cirço não acreditou no convite. A barriga doeu, a cabeça ferveu e as pernas tremeram. O moço simples que nunca tinha saído das cercas do sítio, agora na cidade.

Cirço era boy-office da empresa. Entregava malote de um departamento para o outro. Usava uniforme e trabalhava meio-período. Tudo era diferente. Vida complicada. Vida estranha. Era mais fácil lidar com boi bravo.

Já fazia dois meses que o moço da roça estava na cidade e, aos poucos, bem aos poucos, ia se adaptando. Até que o impensável, pelo menos para Cirço, aconteceu. Cirço recebeu a tarefa de ensinar as atividades do departamento para o mais recém-contratado boy-office da empresa, seu novo colega de trabalho, o Félix.

Cirço não se achava capaz. Passou 30 anos cuidando de alfaces, alcegas, rúculas e bois. Ensinar tarefas administrativas para outra pessoa era difícil demais da conta.

Cirço foi para casa e acendeu uma vela para Nossa Senhora dos Desesperados. Era devoto e acreditava que a santa o ajudaria. Deitou para dormir e começou a pensar na sua vida da roça. Vida simples. Vida boa. Lá as coisas eram fáceis de lidar.

O maior ‘perrengue’ que passara foi uma vez que teve que trocar a boiada do sítio de pasto. Há anos, os bois pastavam no mesmo lugar, mas com as chuvas torrenciais, o solo ficou comprometido e tiveram que transferir o gado para outro local. Todos foram, mas teve um boi, o mais fortão, que não queria arredar o pé do pasto comprometido. Cirço o empurrou, puxou com corda, gritou com o boi e até arriscou uns tapinhas no bucho do bicho. Mas o boi estava lá, como uma estátua. Foi então que o moço da roça lembrou que este boi teimoso estava enamorado por uma vaca há semanas. E a boa notícia era que a vaca já estava no pasto novo. Cirço então trouxe a vaca, também enamorada, para a porteira do novo pasto, colocou uma porção generosa de capim ao lado e começou a gritar para chamar a atenção do boi desobediente. Quando o boi viu a cena começou a se mexer ir em direção a eles. Sim, o que o boi queria estava no pasto novo. O boi queria a vaca. Motivo suficiente para aceitar ir até o pasto novo.

Depois das lembranças rurais, Cirço dormiu feliz.

No dia seguinte, nervoso com a chegada do novo colega de departamento, o moço da roça chegou à empresa. Félix estava lhe esperando. A  barriga doeu, a cabeça ferveu e as pernas tremeram.

Cirço passou o dia explicando como fazer a entrega dos malotes. Félix aprendeu.

Cirço estava contente com o resultado. Félix nem tanto, pois achou o trabalho de maloteiro muito simples. Queria mais para sua vida. Começou a relaxar e não fazer mais as entregas conforme o combinado. Atrasava as correspondências e isto estava  prejudicando o andamento da empresa. Félix não estava feliz com o novo pasto. Parecia mais um boi teimoso.

Cirço ficou pensando em como ajudar o novo colega de trabalho. O moço da roça pediu para Felix fazer o trabalho direitinho e não adiantou. Pediu para o colega respeitar as regras da empresa mas também não adiantou. Cirço o empurrou, puxou com corda, gritou com o colega e, desta vez, só não arriscou uns tapinhas no bucho do bicho. Era mais um boi teimoso na vida de Cirço. A solução era a vaca.

No caso de Félix, ele aspirava por ascenção profissional. Queria galgar novos cargos. Queria crescer profissionalmente. Esta era a vaca da vez. Era só colocar na frente do Félix que ele iria correndo para o novo pasto.

Cirço não pensou duas vezes e foi conversar com seu supervisor. Sugeriu em criar um plano de recompensas para valorizar os funcionários que trabalhassem direito. O supervisor resistiu no primeiro momento mas concordou em tentar.

Félix ficou animadíssimo com a notícia. Trabalhar direito era, agora, sinônimo de prosperar na carreira.  Enfim, conseguia enxergar no novo pasto suas aspirações e expectativas.

Cirço ensinou Félix a correr atrás de sua vaca.

É, cuidar da roça é, definitivamente, fonte de ricos ensinamentos. Sua vida, na roça ou não, também.

A vida, meu povo, por mais simples que seja, é incansavelmente, rica em aprendizados. Um aprendizado aqui, que salva o problema dali.

Kelly Cavalcanti Gallinari – Coach

www.ecoach.com.br


O homem de três pernas

janeiro 30, 2012

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

Ter a expectativa de que problemas não existirão é certeza de frustração. Sim, eles ocorrerão. O que devemos fazer é nos preparar. Inevitáveis, podem ser até saudáveis se aprendermos algo com eles.

Conheçam o planeta Equilibrium Necessarium e seus curiosos habitantes:

No planeta Equilibrium Necessarium, Freitas Tripé Júnior era ainda uma criança. Guardemos este nome.

Neste mundo, todos tinham três pernas. Eram chamadas, cientificamente, de Equilibrium Social, Equilibrium Pessoal e Equilibrium Profissional. Andavam engraçado, andavam girando, quase que dançando. Uma vida a bailar.

Era obrigação de todos os Equilibristas (nome dado aos habitantes deste lugar) cuidarem das pernas. Se não estivessem reforçadas e bem dosadas, era tombo na certa. E levantar, não era tarefa fácil. Para terem ideia, existiam Plantonistas Equilibrium espalhados a cada esquina, caso um habitante se estabarracasse no chão. A queda de um podia ser a queda de outro tantos que vinham atrás. O Plantonistas Equilibrium precisavam agir rápido.

Até os 15 anos, todos eram regidos por uma “força maior” do planeta, que permitia o pleno andar dos habitantes. Até esta idade, não tinham que se preocupar em cuidar dar pernas sozinhos. O mundo conspirava a favor. Mas, depois, tinham responsabilidade de zelarem cada um por si.

Mas eram muitos os tombos.

Freitas Tripé Júnior perdera o pai em um destes tombos.

Freitas Tripé, o pai, era um profissional muito dedicado e de sucesso. Diretor de uma das mais importantes empresas deste planeta, dedicava-se, praticamente, todo seu tempo em superar-se no trabalho. Apoiava-se, exclusivamente, em sua perna profissional. As outras eram, meramente, muletas. Um certo dia, adoeceu. Ficou afastado por 3 meses do trabalho. Descobriu, então, que as outras duas perna não eram suficientes para mantê-lo em pé. Nunca se preocupou em cuidar delas. Eram fracas. Não tinha uma perna social estruturada, não tinha amigos e pessoas para lhe ajudarem em um momento tão doloroso. Não
tinha a perna pessoal organizada e não soube lidar com o afastamento do trabalho, seu porto seguro. Os tombos foram tantos que faleceu de uma doença chamada ‘Faltou Reservas Vitais’. Doença maligna e fatal.

Júnior ficou muito abalado e só não ficou pior porque ainda era uma criança e o mundo conspirava a seu favor. Mesmo nos dias mais difíceis, a ‘força maior’ o sustentava e, mesmo com as pernocas fracas, não caiu.

Freitas Júnior cresceu e decidiu ser um Plantonista Equilibrium. A escola que formava estes jovens era muito rígida e diplomar-se não era fácil. Estes profissionais tinham que aprender, e praticar, a tarefa mais difícil deste planeta: não cair. E não levar tombos não significava não ter problemas. Significava ter apoio e estrutura enquanto os problemas.

Júnior devia isto ao pai e seguiu seu caminho.

Freitas Tripé Júnior, assim como o pai, foi um profissional de sucesso. Não só formou-se um Plantonista Equilibrium de primeira linha, como, depois, montou sua própria filial.

Freitas Tripé Júnior, diferente do pai, também foi um homem de sucesso. Dedicava-se muito ao trabalho mas nunca deixou de zelas por suas outras duas pernas. Sim, aconteceu, por mais de uma vez, de fraquejar no trabalho. Mas sempre que isto ocorreu, suas outras duas pernas o sustentava e o impulsionava enquanto cuidava da recuperação da pernoca profissional. Também
teve problemas pessoais, inclusive uma separação inesperada. Freitas Tripé Júnior ganhou um belo trio de chifres. A perna pessoal desmoronou. Mas ele tinha amigos e um trabalho estruturado. Tinha reservas. Logo se reergueu.

Freitas Tripé Júnior tinha reservas. E vivia a rodar, girar. Levava a vida a bailar.

Kelly Cavalcanti Gallinari – Coach

www.ecoach.com.br


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