2012 Sem brincar com futurologias

dezembro 22, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

É bem comum que nesta época, vésperas de um ano vindouro, façamos muitos exercícios de “futurologia”. Principalmente, os especialistas (do místico ao economista) e os colunistas. Queremos antecipar tendências para poder dizer nos próximos meses – talvez – que estávamos certos. Querendo ou não, nos vangloriar quando, por alguns instantes, nos tornamos “gurus”. Talvez faça parte – muitas vezes de forma velada – de um velho fascínio coletivo pelo poder da adivinhação.

Mas por que sentimos a necessidade de antecipar o futuro? A resposta é simples: para nos preparar técnica e psicologicamente de possíveis eventos e, assim, saber como enfrentá-los. Bom, tudo isso foi para dizer que, não tentarei antecipar novos eventos desse nosso mundo corporativo neste espaço, embora esteja inclinada a fazê-lo. Isso porque temos muitos desafios para encarar ainda neste nosso presente.

CENÁRIO ATUAL

Vivemos um indiscutível tempo de mercado de trabalho aquecido e de uma confortável situação de quase pleno emprego. Isso tudo num cenário global em que as maiores economias mundiais amargam o crescimento paulatino e sucessivo dos índices de desemprego. Somos uma das economias do mundo que, nos últimos anos, mais vem crescendo de forma surpreendentemente acelerada.

Temos uma grande massa de consumidores – que ascenderam dos níveis de pobreza para classe média – que demandam mais serviços e produtos, e assim, vigoram as industrias em geral. Também somos o País que irá sediar, em menos de 5 anos, dois grandes eventos esportivos – a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos –, que devem mudar a cara de muitas cidades, com obras de revitalização, construção de estádios e projetos de melhoramento da estrutura de mobilidade urbana. Além de eventos esportivos, os dois mundiais já promovem a rápida absorção de mão de obra em todos os níveis – do profissional operacional ao executivo.

DESAFIO DE HOJE E DE AMANHÃ

Entre tantas “glórias”, surgiu um grande problema e preocupação do mercado que os profissionais de RH e gestão de pessoas apelidou de apagão de mão de obra qualificada. Isso quer dizer que a demanda por profissionais cresceu em quase todo o País, mas a oferta de trabalhadores no mercado nem sempre vem agradando as empresas que tentam apaziguar seus padrões a níveis globais de qualidade. O mercado está mais exigente e muitos profissionais – apesar da expansão do ensino superior e pós-graduação no País – não conseguem acompanhar essas exigências.

Creio que esse é o desafio de hoje e de amanhã dentro do mercado de trabalho e da própria economia real. Mas também vejo que é um desafio histórico brasileiro, fincada em deficiências de nosso sistema educacional – principalmente, a da educação básica. Portanto, acredito que não há formulas mágicas, pois será um problema que se solucionará a longo prazo e exigirá o esforço desde das esferas de poder até à motivação de nossos trabalhadores. Não resisti a dar um pitaco de futurologia: este assunto continuará a ser a grande preocupação e desafio das empresas brasileiras em 2012.

MINUTO SABÁTICO

1Dessa vez, eu não utilizarei este espaço para dar dicas de como aproveitar as – muitas vezes – escassas horas de lazer. Ou melhor, os nossos preciosos minutos sabáticos. Hoje, anuncio aqui as minhas férias da coluna, depois de pouco mais de um ano de tentativas de trazer para este espaço alguns assuntos pertinentes, quentes e tendências desse mundo corporativo. Agradeço a todos que me escreveram – seja para tirar dúvidas, sugerir pautas ou até mesmo somente para desabafar. Mas esta não é uma despedida definitiva! Volto a escrever neste espaço em janeiro, quando retorno das minhas semanas sabáticas! Tenham todos um bom Natal e uma ótima passagem de ano! Até 2012!

Sandra Nagano

Jornalista da área econômica

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo On Line


Quando a gerência pensa micro

dezembro 1, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

CARGOS

Não há como negar que os cargos de gerência carregam grandes responsabilidades e metas, e por isso, também certa dose de estresse. Até aí, tudo aparentemente normal. O problema é quando a empresa e o gestor não têm um organograma e metas bem definidas. Aí, o estresse desses gestores se multiplica pelo tamanho do caos instaurado dentro da organização. Sem saber controlar esse estresse e as próprias responsabilidades e metas, muitos desses gestores começam a trabalhar em regime de microgerência, ou seja, eles sentem a necessidade de checar e examinar minuciosamente o trabalho de sua equipe de maneira constante e excessiva. O que muitos não conseguem visualizar é que se trata de uma postura tóxica que pode contaminar todo o ambiente de trabalho.

“SE NÃO SOU EU…”

Num comportamento típico, o microgestor, tomado pela necessidade de controlar toda a situação caótica no escritório, descarrega a pressão e estresse sobre seus colaboradores. Isso significa estar no pé dos funcionários a cada minuto, como se sua presença fosse realmente necessária a cada pequeno passo de um trabalho realizado por sua equipe. Em geral, o microgestor pensa da seguinte forma: “Se não sou eu, as coisas não vão para frente”. A presença do gestor é realmente importante e imprescindível, mas se torna realmente insalubre quando chega nesse nível de falta de confiança.

COLABORADORES-BOMBEIROS

1 O problema é quando o microgestor não deixa claro o que cada agente da equipe deve realmente fazer. Num cenário de desorganização, falta de clareza e foco, esse gestor estará preparando, na verdade, uma equipe de colaboradores-bombeiros, cuja função será apagar os “incêndios” causados pelo caos organizacional.E, claro, muitos funcionários desmotivados e estressados com a pressão de um chefe microgestor. Isso, além de diminuir a eficiência e a produtividade da equipe, também poderá contribuir para minar possíveis talentos dentro da organização.

GESTOR, MAS NÃO LÍDER

2 Como se pode notar, o microgestor está longe de ser um verdadeiro líder, cujas principais características são a capacidade de exprimir com clareza os objetivos de cada tarefa e as funções de cada um no organograma, de criar um ambiente de motivação na equipe e de construir pontes – e não muros – entre ele e seus colaboradores . Se você convive diariamente com um chefe microgestor e pretende se manter no cargo e empresa em que trabalha atualmente, o jeito é evitar um enfrentamento com ele logo de cara – isso poderá somente piorar a situação dentro do ambiente de trabalho. Tente ganhar a confiança dele, pois somente assim ele poderá diminuir a ansiedade em cima de seu trabalho.Outra dica é se antecipar a ele e sempre mantê-lo informado sobre o progresso de suas atividades. É bom lembrar que isso poderá apenas amenizar um pouco a pressão dele sobre você. Possivelmente ele continuará a ser o mesmo microgestor – pelo menos até que ele decida olhar a gestão de forma menos pequena e mais macro.

CORPORATIVÊS

3Se algum dia você ouvir seu chefe ou um palestrante dizer que é preciso que todos trabalhem em regime 24-7 (lido e falado em inglês: twenty-four seven), saiba que esses números nada mais querem dizer “24 horas por dia e 7 dias da semana”. Ou seja, a expressão significa algo como “trabalho ininterrupto”, “sem folga”.

Sandra Nagano é jornalista da área econômica

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O povo Online


Quando o chefe pede demissão

novembro 28, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

MOTIVOS

Muitos podem ser os motivos para um gestor se auto-demitir do cargo. Entre eles, as propostas de uma melhor colocação no mercado à frustração total de suas atividades dentro da organização. Independente das razões trata-se de uma situação que pode ocorrer dentro da sua empresa. Mas, em geral, a auto-demissão de um chefe está ligada a uma crise instaurada dentro da empresa ou setor. Ou seja, em uma situação-limite de caos que acaba por preocupar, de alguma forma, todos os agentes da organização. Afinal, ninguém sabe ao certo como a empresa saíra – ou se ao menos saíra – dessa crise. O novo gestor que assumir o cargo terá, então, o desafio de não somente apagar os incêndios, mas também de consertar os estragos causados dentro do próprio ambiente de trabalho.

A LA BERLUSCONI

Um exemplo recente desta situação foi a renúncia do então primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi há pouco mais de uma semana. Quando a crise econômica apertou na terceira maior economia da Europa, Berlusconi decidiu renunciar. O atual primeiro-ministro, Mario Monte, terá agora que arrumar a casa, e ganhar a confiança da população e do mundo (o que Berlusconi já vinha perdendo há tempos) e tocar o pacote impopular de austeridade aprovado pelo parlamento italiano. Ou seja, quem assume o cargo nestas condições, geralmente, herda, entre outras coisas, um grande abacaxi para descascar.

HORA DO CAFEZINHO

1 Em muitos escritórios já começaram as movimentações para as famosas “festas de final de ano da firma” e dos “amigos-secretos”. Gostando ou não, é sempre de bom tom participar. Afinal, trata-se de um momento de confraternização dentro da empresa. Embora seja um momento “relax” entre os colegas de trabalho, é sempre bom lembrar que eles continuarão ser – em sua maioria – colegas de trabalho. Ou seja, algumas etiquetas devem ser mantidas na hora em que você trocar o cafezinho por algo, eventualmente, mais forte. Se você for beber algo alcoólico, não exagere. Fique no nível “beber socialmente”. Isso evitará que você cometa gafes, inclusive, junto ao seu chefe. Quanto às vestimentas, isso dependerá do nível de aproximação da equipe, bem como o tipo de empresa a qual você trabalha. Mas, em geral, é aconselhável roupas não muito extravagantes. Na dúvida, use o bom senso.

MINUTO SABÁTICO

2. Na próxima semana, já entraremos no mês de dezembro. Pois é, estamos às vésperas do final do ano, tempo de fazer um balanço das coisas que fizemos e deixamos de fazer durante 2011. Sem estresse, pois se tratam de coisas passadas. Agora, bola pra frente! Hora de planejar o ano vindouro com metas reais e realizáveis. Ambições e desafios realmente são importantes, mas não encha sua lista com missões quase impossíves. Senão, as chances de se arrepender e se lamentar no final do ano que vem serão grandes. Lembre-se que as metas as quais eu falo não devem se encerrar em coisas relativas ao trabalho. Que tal já planejar aquela viagem de férias para o próximo ano? Ou se programar para ter mais tempos de lazer junto às pessoas que você mais estima? Afinal, todos nós precisamos de alguns minutinhos sabáticos para trazer mais leveza às nossas vidas.

CORPORATIVÊS

3. Você sabe o que significa compliance dentro de uma empresa? Trata-se do atendimento aos requisitos de leis, normas e códigos organizacionais e da indústria de atuação pela empresa. Por exemplo, uma empresa aplica uma política de compliance se ela estiver de acordo com regras e normas do ISO, à legislação ambiental, ao Código de Defesa do Consumidor, às Normas Regulamentadoras de Segurança e de Saúde no Trabalho e de outros órgãos e agências de regulação e fiscalização.

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo Online



Antagônico

novembro 10, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

UM AVANÇO ENTRE AS HISTÓRICAS CONTRADIÇÕES

Nesta última semana, o Economist Intelligence Unit, instituto britânico de pesquisas econômicas, divulgou um dado interessante sobre o Brasil. De acordo com projeções do EIU, o País passará o Reino Unido no ranking das maiores economias do mundo e assumirá a sexta posição na classificação de 2011. É claro que as sucessivas crises na zona do Euro têm empurrado (para baixo) as economias europeias, mas também é fato que, nessa ultima década, o Brasil vem em ritmo rápido de crescimento. È possível até que nós ajudemos a capitalizar a endividada Zona do Euro.

Mas ainda somos um país das grandes contradições. Para citar uma, temos hoje o 84° Índice de Desenvolvimento Humano entre 187 países. Sim, estamos melhorando, mas ainda há muito o que fazer para melhorar este índice e a vida de muitos brasileiros. A boa notícia, a qual vou destacar hoje, é que um de tantos atrasos históricos começa a ser batido de frente no País. Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que prevê multa às empresas que discriminarem as mulheres quanto aos salários.

 UMA MEDIDA

Não acho que esta seria a melhor medida para se resolver esta disparidade entre homens e mulheres dentro do mercado de trabalho, mas com certeza, se aplicada, terá grande impacto dentro das companhias. Afinal, de acordo com texto do projeto de lei, a multa à empresa que discriminar as mulheres quanto aos salários deve ser cinco vezes o valor da diferença salarial verificada em todo o período do contrato.

 A medida ainda não entrará em vigor, pois o projeto deve seguir para apreciação do Senado. Tudo indica que o projeto será aprovado por esta Casa também. De qualquer forma, a aprovação da medida pela Câmara já é um aceno para a quebra de algumas disparidades dentro do mercado de trabalho.

DISPARIDADES

A medida se faz necessária em nosso País, candidato à sexta maior economia mundial, porque as disparidades salariais entre homens e mulheres é uma realidade em todos os níveis sociais. Para se ter uma ideia, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho referente a setembro deste ano, o salário das mulheres nesse mês representava cerca de 85% em relação à remuneração masculina. Ou seja, uma diferença de cerca de 15%.

Outros dados que chamam a atenção para essa “disputa”
de gêneros dentro do mercado de trabalho é do Anuário das
Mulheres Brasileiras, realizado pelo Dieese. O estudo mostra que as brasileiras com curso superior e que recebem mais de cinco salários mínimos representam 27,7% das ocupadas. Já os homens de perfil similar representam 52,2% dos ocupados.

Será um grande passo caso o projeto de lei seja aprovado pelo Senado e sancionado pela presidente Dilma Rousseff. Mas é fato que as mulheres ainda precisam suar muito mais a camisa para equalizar seus direitos de um mercado de trabalho ainda masculinizado.

HORA DO CAFEZINHO

Vivemos em uma época dos viciados pelo trabalho, também conhecidos como Workaholics. Em suma, são profissionais que quase sempre ultrapassam suas 8 horas diárias de trabalho para finalizar um projeto ou até mesmo adiantar algumas de suas etapas. Em muitos casos, até mesmo os finais de semana ganham status de dias úteis. Os workaholics estão cada vez mais comuns no mercado de trabalho por conta da alta competitividade do mercado e da auto-cobrança dos trabalhadores pela qualificação e eficiência. Consequência disso é uma vida quase sem lazer, mas repleta de estresse. Pois é, se você se encaixa neste perfil, está na hora de desacelerar. Além da queda da produtividade a longo prazo, esta postura poderá trazer malefícios à saúde. Procure organizar e planejar o seu tempo para ter horas de relaxar.

 CORPORATIVÊS

 Esse é um dos termos em inglês que tem muitos adeptos das apresentações em PowerPoint: No-win. Quando você ouvir essa expressão da boca de seu chefe, saiba que as coisas não andam nada bem. O termo significa que a situação não está bem e que todos envolvidos podem perder. Em oposição a essa expressão, temos o Win-win (na qual, todos ganham).

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo Online


Qualificação

outubro 27, 2011

Mundo Corporativo

CORRER SEM SAIR DO LUGAR

O “apagão de mão-de-obra qualificada” já se tornou o novo jargão entre os gestores de Recursos Humanos. A justificativa dessa falta de profissionais com boa qualificação tem alguns fortes (mas não únicos) fatores: o mercado de trabalho cada vez mais exigente; a expansão da economia brasileira, que demanda novas indústrias e serviços e, por isso, novos profissionais; e o avanço rápido da informática e da tecnologia, que vem otimizando tempo e substituindo alguns colaboradores em funções consideradas mais burocráticas (sim, continuamos em constante concorrência com as máquinas).

A CORRIDA

Ao mesmo tempo que temos esse acirramento das exigências sobre profissionais mais qualificados, observamos uma enorme massa de trabalhadores em busca de mais conhecimentos. Isso porque já se foi o tempo em que ser qualificado para o mercado era ter uma graduação no ensino superior e domínio do inglês. Hoje, quem quer alcançar cargos de boa remuneração ou ainda de função executiva sente-se na obrigação de ir atrás de mestrados, MBAs, doutorados além de desenvolver algumas habilidades pessoais, tais como o de trabalhar em equipe, ter bom domínio das técnicas de comunicação, liderança, etc.

O QUE HÁ DE ERRADO?

Embora tenhamos esse movimento de candidatos à cargos de gerência e liderança em busca de mais qualificação no Brasil desde finais da década de 90, o mercado ainda reclama da escassez de mão-de-obra qualificada. Fora os fatores que apresentei no início da coluna (exigência do mercado; economia em expansão e avanço tecnológico), tem um outro grande fator que pode ser definitivo em alguns cargos do alto escalão.

SER MÚLTIPLO

Hoje, para ser um profissional indispensável para as empresas não basta um currículo sólido, é preciso ser múltiplo. Pelo menos é que defende os autores do livro “O líder inspirador”, John H. Zenger, Joseph R. Folkman e Scott K. Edinger. Para eles, o mercado aposta hoje no profissional que tenha mais de uma habilidade e conhecimentos técnicos mais abrangentes. Os profissionais deveriam, segundo os autores, fazer como um experiente maratonista. Chega uma hora que não dá apenas para sair correndo como louco para treinar. O esportista teria apenas alguns pequenos incrementos adicionais. Para avançar, o maratonista experiente combina a corrida com um porção de outras atividades físicas, por exemplo, a musculação, alongamento, ciclismo e a natação para melhorar o condicionamento físico e, assim, o seu rendimento.

SEM INCREMENTOS

Segundo Zenger, Folkman e Edinger, o grande erro dos candidatos com boa qualificação à cargos de gerência e liderança que não conseguem uma vaga no mercado (ou seja, correm com a qualificação sem sair do lugar) está no fato deles estarem concentrados em melhorar apenas aquela área que se consideram realmente bons. Como no exemplo dos maratonistas que apenas correm feitos loucos para treinar, esses candidatos terão somente pequenos incrementos. A avaliação dos autores faz sentido pela lógica de que devemos começar investir não apenas em nossos pontos fortes, como nos fracos também, para avançarmos em nossas carreiras. Que tal começar hoje a se auto-avaliar profissionalmente?

CORPORATIVÊS

“Push the envelope”: esse termo talvez ainda não seja tão popular nas reuniões internas das empresas brasileiras, mas ele já começa a aparecer em alguns textos e artigos sobre negócios. A expressão significa algo como “usar todo nosso potencial” ou “se esforçar para fazer algo inovador”.

Sandra Nagano, Editora-adjunta do Núcleo de Negócios do O POVO

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povoonline


Uma guerrilha engravatada

outubro 20, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

PREPARAÇÃO

Na Rússia, uma escola de business de Moscou vem causando muita polêmica entre outras instituições internacionais do gênero pela forma como ela pretende preparar os executivos que sairão de seus programas de MBA. Há algumas semanas, o site da revista The Economist publicou um artigo muito interessante sobre a Skolkovo Moscow School of Management – uma das escolas russas de business mais conhecidas no país e no exterior– que me fez refletir sobre qual seria o perfil de executivos de empresas que o mercado mundial espera receber nos próximos anos. Para a Skolkovo, eles seriam como guerrilheiros corporativos com habilidade de lidar com as adversidades e nebulosidades dos mercados emergentes.

“ECONOMIAS DIFÍCEIS”

Um dos decanos da escola, em entrevista ao The Economist, disse que a Skolkovo está preparando gestores para atuarem em “economias difíceis”, tais como a própria Rússia, China, Índia e Brasil. Em suma, os maiores países em desenvolvimento que dividem hoje a sigla Bric. O que ele quer mesmo dizer é que nesses países não há um ambiente de negócios saudável como nas economias desenvolvidas. E, portanto, os executivos que pretendem entrar nesses mercados devem estar preparados para lidar com jogatinas e a falta de ética de profissionais nem sempre bem qualificados. Ou melhor, eles devem dominar a “arte obscura” dos negócios. Pode até ser verdade a existência desse tipo de ambiente entre os Brics, mas generalizações sempre me incomodaram.

EXEMPLO?

Ao ler esse artigo, logo me recordei dos escândalos da última década no mundo dos negócios nas economias desenvolvidas. A maior já revelada se irrompeu durante a crise de 2008, no setor financeiro: basta lembrar do caso de Bernard Madoff, mega-empresário de investimentos que, durante anos, sustentou um esquema fraudulento que acabou por gerar um prejuízo bilhões de dólares a seus clientes e o próprio setor financeiro. Impossível de acreditar que ninguém soubesse dessa tramoia antes dela ser revelada. Ou seja, ambientes nebulosos de negócios também existem no “mundo desenvolvido”.

TEMEROSO

A Skolkovo vem trabalhando com o objetivo claro de criar executivos que tenham a habilidade de “fazer as coisas acontecerem” seja qual for os métodos que utilizarão para esse fim. Apesar de não concordar com métodos dessa instituição russa, acredito que a Skolkovo vem trabalhando em seus cursos com uma gestão teoricamente decrépita, mas com teor prático que ainda se pode ver vividamente no mundo dos negócios: a preparação dos executivos para uma guerra de territórios (mercados)
e interesses (lucros). É uma ideia temerosa, quando o mundo empresarial tende a caminhar (pelo menos na teoria) pela via da transparência dos negócios. Que a Skolkovo não faça escola por aqui.

HORA DO CAFEZINHO…

Agora é pra valer. A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta semana a lei do aviso prévio proporcional com limite de 90 dias. Portanto, quem for demitido a partir de agora deverá levar em conta o tempo trabalhado na empresa com carteira assinada. Se não passar de um ano de serviços prestados, continua como antes, com os 30 dias de aviso prévio. Agora, a cada ano adicional de trabalho com carteira assinada numa mesma empresa se deve adicionar 3 dias de aviso até chegar ao teto de 90 dias (mais de 20 anos trabalhados). Ou seja, a rescisão poderá ficar cara para as duas partes (empregado e empregador), caso elas decidam por descumprir o aviso prévio. Há quem diga que a medida inibirá a rotatividade dentro das empresas. Bom, agora é esperar para ver.

CORPORATIVÊS

Se o diretor do setor lhe perguntar: “Você sabe a quantas andam o Bottomline da empresa?”. Não entre em pânico. Bottomline no corporativês pode significar perdas e ganhos ou ainda custos e lucros. Vai depender do contexto da conversa.

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povoonline


O verdadeiro capital: as pessoas

outubro 13, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

GESTÃO

Nestes tempos de crise, muitos europeus têm se perguntado sobre o motivo da zona do Euro estar afundando em uma “nova” crise. Das muitas interpretações produzidas para o que está ocorrendo, a versão que considero mais próxima do real é que a crise europeia atual nada mais é que a consequência das turbulências de 2008 e 2009, quando os governos tiveram que emprestar grandes volumes de dinheiro público ao setor financeiro para evitar que o mesmo quebrasse. Hoje, por causa desses “empréstimos”, são as contas desses governos que estão no vermelho. Mas com certeza, o setor financeiro não vai ajudá-los a tapar esses rombos. Isso porque ele está novamente na corda bamba.

A DINÂMICA

Com as contas públicas europeias apertadas e a crise de confiança dos mercados, o crédito na praça ficou mais escasso e, então, a população no geral reduziu o consumo e a inadimplência aumentou. Como resultado disso, o dinheiro em circulação vem diminuindo e os cofres dos Estados estão cada vez mais magros. Assim, a economia começa a ir do mal ao pior e os governos começam a cortas gastos em todas as áreas, inclusive as essenciais.

Para conter a crise, governos de todo o mundo têm apelado para que a população volte a consumir, de forma a não deixar que seus países entrem em recessão. Em síntese, hoje, o setor financeiro e os governos precisam muito das pessoas para mover a economia. Mas, é preciso também que existam contrapartidas visíveis e palpáveis para a população, sem as quais ela não poderá fazer muita coisa.

LIÇÕES CORPORATIVAS

Sim, o cenário econômico europeu pode mostrar às empresas o que elas devem ou não fazer dentro de suas organizações. E a lição principal é que quem realmente faz a roda girar, são as pessoas. Uma empresa não vive apenas de números de rentabilidade (como no sistema financeiro). Sem a atenção necessária a elas, os negócios podem sofrer grandes baques e instabilidade. Sim, as pessoas (sejam elas colaboradores, clientes e fornecedores) são o verdadeiro capital das corporações. Motivadas, elas podem fazer a engrenagem girar mais rápida e efetivamente. Pode parecer um clichê, mas não é.

É claro que não basta trabalhar a valorização das pessoas para ter sucesso nos negócios. Uma boa gestão (de pessoas, processos, recursos) pode garantir boas oportunidades à uma empresa. Trata-se de uma lição que o próprio sistema financeiro também precisa aprender.

HORA DO CAFEZINHO…

Não tem jeito. Em quase todas as empresas existirão os “queridos” e os “protegidos” por um ou mais membros da diretoria. Uns os conquistarão pelo carisma, ou pela competência, ou pela força de vontade, ou tudo isso num pacote só. Isso me parece bem natural. O chato da história é quando eles são protegidos não pela sua capacidade, digamos assim, de lidar com o trabalho ou as pessoas, mas pela sua habilidade política de mostrar uma competência inexistente. Apesar de não parecer justo, não gaste tempo da hora do cafezinho para compreender esse fenômeno. Faça seu trabalho (e o mostre) da melhor forma possível. Desde que o mundo é mundo, a política prevalece nas relações humanas. Quem sabe lidar bem com ela, sempre terá uns pontinhos de vantagens sobre os demais.

MINUTO SABÁTICO

Nesta semana indico um livro que, talvez, já esteja faltando nas prateleiras a essa hora. Trata-se de “A cabeça de Steve Jobs”, publicação assinada por Leander Kahney. O livro tenta destrinchar a personalidade do homem que fundou e salvou a Apple da falência, bem como a tornou a maior empresa de capital aberto do planeta. A publicação tenta mostrar os dois lados desse empreendedor global (“Jobs bom” e o “Jobs mau”) para equacionar a fórmula de sucesso de seus negócios. “A cabeça de Steve Jobs” é indicado para aqueles que querem compreender um pouco uma das mentes mais influentes das últimas décadas.

CORPORATIVÊS

“Como poderemos alinhar e criar uma sinergia entre os Stakeholders?”. Quase sempre a pompa do corporativês serve mesmo para complicar. Em síntese, a frase acima significa: como poderemos tornar harmônica a relação entre todas as pessoas e organizações que estão, de alguma forma, envolvidas ou são afetadas por uma atividade da empresa?

Sandra Nagano é jornalista da área de economia

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O povo on line



Em tempos de greve

outubro 6, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

MOVIMENTOS

Não vou dedicar esse espaço para discutir a legitimidade das greves e paralisações, nem sobre como elas podem influenciar a vida da população. Até porque quase sempre estão em jogo muitos interesses e objetivos diversos. Mas o que eu gostaria de tentar mostrar aqui é como empregadores e colaboradores grevistas deveriam fortalecer seus canais de diálogo, bem como evitar que a situação chegue a um nível extremo das relações trabalhistas: quando o canal de comunicação é cortado por pelo menos uma das partes envolvidas. À princípio, as greves e paralisações irrompem quando uma crise já está instalada dentro da empresa. Ou seja, quando empregadores e colaboradores – geralmente, representados por suas classes representativas – não conseguem fechar um acordo depois de algumas rodadas de conversações.

Historicamente, as relações trabalhistas (nos velhos moldes patrão-empregado) sempre tiveram muitos momentos carregados de tensões e de acordos difíceis – afinal, os dois lados sempre tiveram suas reivindicações e, teoricamente, deveriam ceder certos pontos de forma equilibrada para manter o diálogo. Essa tensão ainda é fortemente visível, por exemplo, em fábricas, em bancos e nos serviços públicos em geral.

SEM REPRESSÃO

Quando uma greve ou paralisação ocorre, empregadores e colaboradores (concordando ou não com o outro) devem se manter calmos e estarem cientes de que suas funções não é reprimir, nem atacar ou destruir a propriedade do outro. Isso somente acirrará os ânimos e criará uma situação “de guerra” dentro da companhia.

O ideal é que as partes sempre mantenham o diálogo a fim de criar uma atmosfera de confiança recíproca. Assim como o estado de greve é um direito de muitas categorias, o empregador também pode acionar a Justiça para questionar a legitimidade da greve e validar posteriores medidas disciplinares, tais como advertências, suspensões e até demissões por justa causa (em casos extremos). Mas o ideal é que a situação não chegue a esse ponto.

LIÇÕES

Grandes lições podem ser aprendidas durante e depois os tempos de greve. As primeiras, com certeza, surgirão após uma reflexão – de todas as partes – dos erros e acertos nas relações mantidas entre os entes da empresa. Isso pode fortalecer, em termos gerenciais, o trabalho anti-crise dentro da companhia. Afinal, vale a máxima de que “é melhor prevenir que remediar”. Para os colaboradores, essa reflexão ajudará a desanuviar os objetivos e interesses que eles pretendem alcançar em seus empregos ou carreias. À parte os desgastes de uma greve ou paralisação, todos têm muito a ganhar. Basta se atrever a descortinar a vista para as oportunidades de melhorias. Claro, para todas as partes.

HORA DO CAFEZINHO…

A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada o aviso prévio proporcional com limite máximo de 90 dias. De acordo com o projeto aprovado – e que precisa da sanção presidencial para ganhar força de lei -, os trabalhadores com contrato de até 1 ano continuam sob a legislação anterior que prevê 30 dias de aviso. Agora, para os contratos mais longos, serão acrescidos 3 dias a mais de aviso prévio por ano trabalhado. O assunto, com certeza, vem ocupando horas de cafezinho de empregadores, empregados e suas respectivas classes representativas. Muitos empresários acreditam que o aumento dos dias de aviso prévio significará mais custos às empresas. Alguns trabalhadores e sindicatos dizem que isso pode fazer com que aumente o nível de rotatividade dentro das organizações (demissões e admissões), já que para muitas empresas não seria mais interessante, em termos de custos, manter um funcionário por muito mais que 1 ano dentro da organização. Isso, em teoria, poderia trazer instabilidade profissional de muitos trabalhadores e o crescimento de postos informais. Outros, por sua vez, defendem que o custo da grande rotatividade de funcionários seria mais cara que a de uma rescisão de contrato com alguns colaboradores no futuro. Portanto, não incentivaria a rotatividade. Bom, por enquanto, é esperar para ver se a presidente Dilma Rousseff irá sancionar ou não esse projeto de lei. Até lá, haja cafezinho…

MINUTO SABÁTICO

O ano já começa a entrar na reta final. Sim, estamos prestes a colocar o pé (direito, por favor) no último trimestre do ano. Eu sugiro a você começar a traçar as metas (profissionais e da vida pessoal) para o próximo ano. Cedo? O quanto antes você fizer, mais tempo você terá para avalia-las quanto a viabilidade delas. Afinal, é melhor entrar no ano novo com uma lista objetiva do que com um longo rolo de papel com aquelas metas quase impossíveis, que quase nunca são concretizadas.

CORPORATIVÊS

Uma pérola do mundo corporativo: “Diante dessa crise, devemos nos prevenir e nos Upgradear”. Neste contexto, pode se dizer que a empresa está preocupada com a crise e, portanto, pensa em se atualizar em termos de estratégias

Sandra Nagano

é jornalista da área de economia

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br


Era do descartável

setembro 29, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

CONSUMO

Por volta da década de 30 do século passado, alguns grandes empresários tiveram uma simples e mirabolante ideia que acabou por mudar nossa relação com os produtos que consumimos hoje em dia e a forma como nos relacionamos com as pessoas e coisas. Eu falo da obsolescência programada, ou para simplificar, da descartalização. Essa prática empresarial consiste em fazer com que alguns bens de consumo ou itens que os compõem tenham um pequeno prazo de validade. Desta forma, com produtos mais frágeis, os consumidores passam a comprar o produto com mais frequência (como as lâmpadas) ou, em muito casos, adquirir as novas versões do mesmo produto (como os programas de computadores). Além de intensificar a sociedade do consumo, essa invenção do capitalismo industrial acabou por introjetar em nossas mentes uma concepção de que tudo que não tiver mais utilidade ou tiver algum problema de funcionamento poderá ser facilmente descartado, já que novas versões serão logo produzidas.

A fila anda

Pode parecer estranho à primeira vista, mas esse pensamento já invadiu o nosso mundo corporativo. Um dos efeitos sintomáticos desta concepção dentro do mercado de trabalho é a alta rotatividade de funcionários dentro das empresas, já que elas estão em uma busca permanente por novos talentos e os talentos estão em busca de melhores oportunidades na carreira e de salários mais rechonchudos. Em resumo, os empregadores estão se desfazendo (“descartando”) facilmente de colaboradores que não atenderiam as exigências de determinados cargos, pois sabem que há vários talentos (“novos produtos”) no mercado. Por outro lado, os trabalhadores estão se qualificando cada vez mais (“se atualizando”) para conseguir empregos melhores. Ou seja, hoje, facilmente as empresas se desfazem de colaboradores, bem como preenchem suas vagas, assim como os trabalhadores trocam cada vez mais de empregos

TURNOVER

1 Mas é claro que esse fenômeno só foi impulsionado no Brasil porque o País está caminhando em direção ao tão sonhado pleno emprego, ou seja, quando o índice de desemprego chega perto do patamar de 5% (hoje, nosso índice gira em torno de 6%). Se por um lado é uma notícia pra lá de boa, por outro, ela tem feito com que a taxa de turnover dentro das empresas crescesse a cada ano. Isso porque há mais demanda e oferta de empregos. Para esclarecer, no corporativês, turnover significa a taxa de rotatividade dentro da empresa. Ou seja, o índice de contratações e demissões na companhia. Atualmente, a taxa média de rotatividade no Brasil é de 36%, segundo dados do Dieese. Somente entre os jovens, a taxa cresceu 75,3% nos últimos 10 anos, de acordo com o Ipea.

RETER TALENTOS

2 Um dos grandes problemas encontrados pelas empresas hoje é a retenção de talentos dentro da organização. Com mercado aquecido, eles alçam voos rapidamente em direção de outras companhias que oferecem melhores benefícios. Se a ideia é fazer com esses talentos permaneçam e amadureçam dentro da organização, as empresas precisam mudar o pensamento do “descarte” e investir nos possíveis talentos que compõem o seu quadro de funcionários. Não existe fórmula mágica, mas já é um bom início começar a equacionar os níveis de motivação e satisfação dos colaboradores, a transparência nas relações de trabalho e as perspectivas de crescimento profissional. Muita gente chama a rotatividade de funcionários de “oxigenação”. Pode até ser por algum momento, mas quando o turnover é alto e constante, pode-se chamar isso de custo e, especialmente, grande instabilidade organizacional.

HORA DO CAFEZINHO

3 Segundo pesquisa da Consultoria em Produtividade Triad, 80% dos trabalhadores gastam até três horas diárias do expediente com atividades que não nada tem a ver com a sua função. Isso inclui, especialmente, o tempo gasto em redes sociais na Internet. Todo mundo sabe que ninguém consegue produzir ininterruptamente, portanto, é muito importantes pequenas pausas (não digo três horas!) para arejar a mente e esticar os músculos. Por isso, sou uma defensora daquela hora (minutinhos) do cafezinho. Mas como o mantra central de uma empresa convencional continua sendo “tempo é dinheiro”, esse dado soa bastante assustador. Para as companhias que pretendem evitar esse tempo improdutivo, Marcelo Abrileri, presidente do site de empregos Curriculum e especialista em recolocação profissional, dá algumas dicas que vão desde o veto total às páginas de relacionamentos até o contrário, a liberação desses sites, mas sob a condição da criação de uma cultura de responsabilidade e bom senso entre os colaboradores. Ele também propõe o estabelecimento de horários específicos para o acesso das redes sociais. Ou ainda, a liberação das páginas de acordo com o nível hierárquico ou por departamento. Para mim, cabe ao colaborador o bom senso…

MINUTO SABÁTICO

4 Hoje, a minha indicação é um reality show um tanto quanto diferente. Isso porque não envolve um prêmio milionário no final e nem o enclausuramento de participantes bonitos e sarados. É o Undercover Boss, que na versão brasileira recebe o nome de O Chefe Espião. O programa é norte-americano e pode ser visto na TV paga brasileira. Mas alguns episódios podem ser encontrados na Internet. Trata-se de um programa no qual o dono da empresa se disfarça, por uma semana, de funcionário de baixo escalão da própria organização. A ideia é fazer com que o executivo sinta na pele o trabalho duro de seus colaboradores (como, por exemplo, catar lixo), bem como as dificuldades e problemas em determinado departamento. E ainda, em alguns momentos, ouvir críticas duras sobre ele mesmo e sua empresa. Uma forma bem extrema de aproximação com os colaboradores!

CORPORATIVÊS

5 Tem algumas siglas que alguns executivos adoram dizer em reuniões. Uma delas é o P&D, que significa o período gasto pela empresa em Pesquisa e Desenvolvimento de um produto ou projeto, por exemplo.

Sandra Nagano

Jornalista da área econômica

Fonte: O Povo Online


Todos (ainda) de olho no Brasil

setembro 22, 2011

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

MERCADO

Eu sei que sobram por aí pessimistas e lamuriosos que insistem em dizer que o Brasil vai de mal a pior. Mas eu sou uma entusiasta quando o assunto é atual economia de nosso País. Afinal, cresci numa época em que a inflação, insistentemente, vivia no patamar dos três dígitos e a minha nota de 1.000 cruzeiros não dava para comprar muita coisa. Enfim, é claro que temos hoje muitos problemas a serem resolvidos, que vão desde baixa qualidade de nossa educação básica, passando pelos nossos altos juros e a nossa pesadíssima carga tributária. Entretanto, há pelo menos dois anos, o Brasil tem sido elevado à condição de estrela da vez no mundo. Não mais pelo futebol, o Carnaval e as belezas naturais, mas pela forma com que a nossa economia vem se consolidando. Há pouco mais de um mês, eu falei sobre um dos problemas desse nosso rápido decolar econômico, que é a falta de mão-de-obra em alguns setores, bem como de profissionais qualificados para um mercado cada vez mais exigente. Hoje, entretanto, vou falar um pouco de como todos estão de olho, novamente, no Brasil. Inclusive, os próprios executivos brasileiros que deixaram o País atrás de melhores salários e estabilidade.

 Crise dos grandes

Atualmente, a Europa vive mais um momento de crise – inclusive com a quebra de algumas economias da zona do euro – e os EUA – começam sentir as suas turbinas desacelerarem. Isso indica, entre outras coisas, um mercado de trabalho cada vez mais escasso e níveis de desemprego em alta nessas regiões. As crises econômicas sempre existirão (infelizmente), mas algumas coisas começam a mudar. Nesta semana, por exemplo, um dos grandes assuntos nos diários econômicos mundiais era o possível plano de ajuda dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) à Europa. Pois é, o mundo está virando pelo avesso.

 REPATRIADOS

1 Nos anos 80, num Brasil ainda instável e sem muitas perspectivas, muitos executivos brasileiros deixaram o País em busca de uma melhor remuneração e estabilidade. O movimento continuou até os anos 2011, com o mesmo objetivo somado ao anseio da qualificação profissional. Mas hoje, com a crise e incertezas na Europa e EUA, muitos deles estão arrumando as malas para serem “repatriados”. E não há momento mais propício para isso, pois vivemos um momento de grande escassez de mão-de-obra qualificada, em especial em cargos gerenciais. Como disse a reportagem do diário econômico britânico Financial Times, além disso, temos os melhores salários para cargos gerenciais e tudo indica que sairemos bem após a crise, como se sucedeu em 2008 e 2009.

ELDORADO

2 Outro cenário interessante é a vinda de estrangeiros para o Brasil atrás de um emprego. De acordo com dados do Ministério de Trabalho e Emprego, o número de autorizações concedidas para estrangeiros trabalharem no País vem crescendo gradativamente. Somente no ano passado, foram concedidos pouco mais de 56 mil autorizações, o que representa um crescimento foi de 10% em relação a 2009 (ano da crise). A maioria veio atrás de empregos ligados aos setores de engenharia, petróleo e gás e relacionados às grandes obras estruturantes no País. Os americanos foram os que mais solicitaram autorizações de trabalho, seguidos pelos filipinos, britânicos, indianos e alemães. Pois é, estamos nos tornando em um novo Eldorado. Isso indica que, para a grande maioria dos trabalhadores brasileiros, resta correr atrás de mais qualificação neste mercado de trabalho que se torna cada vez mais exigente e competitivo.

HORA DO CAFEZINHO

3 Pedir aumento de salário ao chefe quase sempre é uma missão difícil. Digamos assim, não é um dos assuntos favoritos dos empregadores. Por isso, saiba que há maneiras e momentos certos para pedir o aumento. Primeiro, faça uma pesquisa de mercado para saber quanto as empresas estão pagando a um profissional de cargo igual ou similar ao seu, bem como com sua qualificação. Você pode ter esta referência na própria Internet. E, claro encontre justificativas convincentes para que a empresa engorde o seu contra-cheque. Mas nunca chantageie seu chefe com aquele trabalho árduo que fez no passado ou fará futuramente! Pode funcionar em alguns casos, mas definitivamente não é uma boa ideia. Outra dica importante: nunca peça o aumento quando os dois (você e o chefe) estiverem ocupados com algum trabalho. Reserve uma hora para ter essa conversa. Boa sorte!

MINUTO SABÁTICO

4 Quase todo mundo têm aqueles momentos de estresse extremo dentro do escritório. Especialmente, em relação ao chefe. Se você está nesses dias difíceis, respire fundo, aguente até o final do expediente e vá ao cinema. Minha indicação é o blockbuster Horrible Bosses. A produção não é uma maravilha, mas pode provocar algumas boas risadas e ser catártico para aqueles que pensaram, realmente, em “matar seu próprio chefe”. Mas um conselho sensato: não o faça!!! Seu estresse só vai aumentar!

CORPORATIVÊS

5 Entrepreneur. Essa palavra, de origem francesa, está na moda (de novo) no mundo dos negócios. Se algum momento você se deparar com este termo por aí, saiba que significa nada menos que empreendedor.

 Sandra Nagano

Jornalista da área econômica

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo Online


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