BTG anuncia compra 40% da varejista Leader por R$ 665 milhões

maio 30, 2012

Segundo o banco, a aquisição é estratégica para a companhia.

O banco BTG Pactual, por meio do BTG Pactual Participations, anunciou aquisição de fatia de 40% da rede varejista Leader por R$ 665 milhões. Com 65 lojas espalhadas em oito estados, a empresa vende de vestuários a eletrodomésticos.

A operação será realizada em duas etapas: aquisição direta e aumento de capital. Pelos termos do acordo, o BTG e seus veículos de investimento envolvidos na compra vão adquirir 35,88% do capital social total e votante da Leader, com pagamento à vista de R$ 558,419 milhões na data. Além disso, o BTG fará um aumento de capital por meio da emissão de novas ações ordinárias correspondentes a 6,42% do capital da Leader, ao preço de R$ 106,744 milhões.

A operação será realizada pela holding M.F.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações, da qual o BTG Investments deterá 51,1% do capital total e 24,11% do capital votante. O BTG Pactual Principal Investments, fundo de investimento em participações do banco terá 48,88% do capital total da empresa.

A transação está programada para ocorrer em 20 de junho e deve passar por aprovação de ambas as partes. O acordo prevê ainda que o fundo de investimentos em participações do BTG possa adquirir mais 20% ou 30% do capital da Leader em 90 dias após o fechamento da transação. Durante teleconferência com a imprensa, na tarde desta terça-feira, Carlos Fonseca, head de merchant banking do BTG Pactual, afirmou que a intenção do banco é adquirir mais 30% da companhia por um valor de R$ 404 milhões. Se esta operação se concretizar, o valor total desembolsado pelo BTG chegará a R$ 1,069 bilhão.

Este é o primeiro investimento do BTG no varejo popular. O banco, comandado por André Esteves, já tem participação em hospitais, estacionamentos, farmácias e bancos. Segundo Fonseca, a aquisição faz parte da estratégia do banco de investir em mercados com grande potencial de crescimento. “A aquisição nos dá uma plataforma de crescimento protegida em tempos de crise e favorecida em tempos de expansão econômica”, disse o executivo.

A Leader, que nasceu como Bazer Leader em 1951, no interior fluminense, está espalhada pelos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia. Em 2008 a empresa chegou a negociar uma venda para a Renner. O negócio, no entanto, naufragou com a crise econômica.

A varejista fechou 2011 com um faturamento de R$ 1,3 bilhão se contabilizados os ganhos com as vendas no varejo e a operação de cartões de crédito. O valor é 25% maior que o registrado no ano anterior. A previsão para este ano não é revelada, mas há a intenção crescer, tanto que já existem 19 lojas em processo de abertura.

Há planos também aumentar a presença da rede em outros estados, sendo por meio do crescimento orgânico ou por meio de aquisições. “Já temos algumas ideias de possíveis aquisições”, disse Fonseca.

Fugindo do Super Cade
O executivo do BTG não esconde que a aprovação do negócio nesta segunda-feira teve a intenção de evitar que o negócio tivesse que obedecer às novas regras do Cade. Além desta operação, o BTG fechou outros seis negócios nos últimos seis meses com a intenção de fugir da nova legislação.

“O procedimento a partir de agora será muito mais lento e não sabemos como vai ficar. O que existia até hoje a gente conhece muito bem e sabe como funciona”, afirmou. Ainda que não tenha entrado na nova legislação, a transação também terá de ser aprovada pelo Cade.

Fonte: Revista Época


M. Dias Branco compra Moinho Santa Lúcia por R$ 90 mi

maio 28, 2012
A M. Dias Branco comprou o cearense Moinho Santa Lúcia, com sede em Aquiraz. A aquisição foi realizada pelo valor máximo de R$ 90 milhões. “Predilleto” e “Bonsabor” são as principais marcas do Moinho Santa Lúcia.
A M. Dias Branco comprou mais uma. Desta vez, o Moinho Santa Lúcia, de Aquiraz. A empresa atua na moagem de trigo e fabricação de derivados, além da industrialização e comercialização de biscoitos e massas alimentícias em geral. A indústria começou em 1999 e hoje tem no portfólio como principais marcas “Predilleto” e “Bonsabor”. A empresa também produz para marcas de terceiros.Segundo o Fato Relevante enviado à Comissão de valores Mobiliários (CVM), M. Dias Branco tem capital aberto – a aquisição foi realizada pelo valor máximo de R$ 90 milhões. Metade paga à vista ontem. O restante do seguinte modo: R$ 27 milhões em cinco parcelas anuais de R$ 5.4 milhões. Os R$ 18 milhões restantes a serem pagos ao fim de seis anos.

As parcelas a serem pagas deverão ser acrescidas do valor equivalente à aplicação da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), desde a data de ontem até a data do efetivo pagamento, descontadas do valor de possíveis contingências decorrentes de atos ou fatos ocorridos até a celebração do Contrato e que venham a ser exigidas da sociedade adquirida. A aquisição será submetida à ratificação pela Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas. A compra precisará passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão antitruste do País.

De acordo com Geraldo Luciano Matos Júnior, vice-presidente de Investimentos e Controladoria da empresa, as marcas do Moinho Santa Lúcia serão mantidas. “Vamos manter, como temos feito em todas as aquisições. Todas agregam participação de mercado. Essa operação foi estratégica da empresa para fortalecimento na região”, frisa. (Jocélio Leal e Nathália Bernardo)

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

Cearense, a M. Dias Branco é líder nacional no mercado de massas e biscoitos, fechando 2011 com 25,6% e 25,1% de participação respectivamente. A empresa comprou outra cearense, o Moinho Santa Lúcia.

Números

90

milhões foi o valor máximo da aquisição realizada pela M. Dias Branco

27

milhões serão pagos em cinco parcelas anuais de R$ 5,4 milhões

R$ 7 bi

ao ano é quanto movimenta a empresa no ranking nacional

Fonte: O Povo Online

 


Johnnie Walker compra Ypióca por R$ 900 milhões

maio 28, 2012

A Diageo, líder mundial no segmento de bebidas alcoólicas premium, dono de marcas como Smirnoff e Johnnie Walker, anunciou a compra da marca cearense de cachaça Ypióca.

O grupo britânico Diageo anunciou a compra da marca cearense de cachaça Ypióca por R$ 900 milhões (correspondente a 300 milhões de libras). A empresa é líder mundial no segmento de bebidas alcoólicas premium, dona de marcas como Smirnoff e Johnnie Walker. As negociações já vinham acontecendo, como O POVO adiantou com exclusividade em matéria no dia 12 de abril.

Além da marca de cachaça premium, o grupo leva também parte de seus ativos de produção e distribuição. A aquisição está prevista para ser concluída em até um mês.

A operação inclui uma destilaria em Paraipaba/CE, uma engarrafadora em Fortaleza/CE e um centro de distribuição em Guarulhos/SP.

A assessoria de imprensa da Diageo confirmou a O POVO Online que os outros negócios do grupo Ypióca, como a Naturagua e o Complexo Turístico Ypióca(Y-Park) continuam com a família Telles.

A Diageo passa, então, a ter sua própria destilaria no país e acrescenta mais 700 funcionários às suas operações no Brasil.

Negociação

No início do mês passado, o diretor presidente da Ypióca, Everardo Telles, 69, confirmou ao O POVO que chegou a negociar a venda de parte da empresa para o grupo inglês Diageo PLC, o maior do mundo do setor de bebidas (em receita).

Na época, segundo ele, o martelo não foi batido porque não houve acordo quanto ao valor. Everardo não revelou o valor pedido nem o oferecido. Mas informou que o faturamento da holding Ypióca Participações (sete empresas) no ano passado chegou a R$ 300 milhões.

Oportunidade de negócios

“O crescimento econômico do Brasil e a expansão do número de consumidores da classe média  oferecem uma grande oportunidade para que a Diageo acelere seu crescimento na categoria de bebidas alcoólicas premium local e internacionamente”, afirma Randy Millian, presidente da Diageo América Latina e Caribe.

Ele explicou que a transação trouxe oportunidade de agregar valor aos mais de 165 anos de tradição que a empresa possui no Brasil.

Everardo Telles, presidente da Ypióca, comenta: “Estou muito satisfeito por ter concluído essa transação com a Diageo. Ela garante a trajetória da YPIÓCA rumo a um crescimento sustentado e fortes investimentos, bem com a um potencial aumento das exportações.”

Fonte: O POVO Online


M. Dias Branco compra Moinho Santa Lúcia

maio 25, 2012

Jocélio Leal O Povo Online

M. Dias Branco comprou mais uma. Desta vez, o Moinho Santa Lúcia, de Aquiraz (CE). A empresa atua na moagem de trigo e fabricação de derivados, além da industrialização e comercialização de biscoitos e massas alimentícias em geral. A indústria começou em 1999 e hoje tem no portfólio como principais marcas Predilleto, Bonsabor, além de fabricar para terceiros. A empresa também produz para marcas de terceiros.

M. Dias Branco compra Moinho Santa Lúcia.


H&M chega ao país tirando executivos da concorrência

maio 23, 2012

Cintia Esteves e Regiane de Oliveira   (redacao@brasileconomico.com.br)

A H&M está avaliada em R$ 87,5 bilhões na bolsa de Estocolmo

Em meio a uma enxurrada de dificuldades, varejista sueca consegue levar diretor de operações da Riachuelo.

Após quatro anos estudando o mercado brasileiro, a rede de vestuário sueca H&M finalmente deu os primeiros passos para trazer sua operação ao país.

A varejista está montando um time de executivos, todos vindos da concorrência. Na lista de contratados está um dos homens-chave da Riachuelo, Flávio Amadeu, atual diretor de operações da Guararapes.

Segundo apurou o Brasil Econômico, a Lojas Renner e a C&A também vão perder colaboradores estratégicos para a rede sueca.

O contrato assinado pelos executivos prevê multa de R$ 3 milhões caso sejam divulgados os planos de abertura das primeiras lojas no país, o que deve acontecer no início de 2013.

Mas até lá, a segunda maior varejista de vestuário do mundo, atrás apenas da Zara, ainda terá de vencer muita burocracia. A começar pela demora na obtenção da habilitação para utilizar o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).

O registro é necessário para que a varejista possa importar para o Brasil os produtos fabricados por 700 fábricas espalhadas por Europa e Ásia.

O tempo médio para expedição do documento é de longos seis meses para sair. Para driblar o problema, a H&M poderia usar uma trading, mas pagaria mais impostos, além de ter o inconveniente de receber suas roupas com etiquetas em nome da importadora.

A opção por importar roupas é a mesma de sua maior concorrente. Em 1999, quando chegou ao Brasil, a Zara trazia todos seus produtos do exterior. Só algum tempo depois é que conseguiu iniciar a produção local, que não é suficiente para atender a demanda das lojas no país.

A operação da H&M terá um presidente próprio, que responderá diretamente para a matriz na Suécia. O privilégio não é dado a todos as filias. O México, cujas primeiras lojas serão abertas no final deste ano, ficará sob o guarda-chuva dos EUA.

Executivos ligados às negociações afirmam que a intenção da H&M é abrir pelo menos 30 lojas de uma só vez, com foco nas grandes capitais. Na década de 1980, quando chegou ao Brasil, a holandesa C&A usou a mesma estratégia, inaugurando 15 pontos de venda simultaneamente.

A logística para abastecer as lojas tem sido outro ponto de dificuldade para a H&M. Por isso, um dos caminhos avaliados pela empresa é a comprar a participação em alguma concorrente brasileira, lê-se Riachuelo ou Lojas Renner. E condições para isto não faltam.

“Considerando o tamanho das empresas brasileiras, elas seriam facilmente adquiridas pela H&M”, diz um executivo que acompanha a estratégia de lançamento no país.

A alternativa mais fácil, no momento, é Riachuelo já que a Renner é totalmente pulverizada e os contratos de acionista tem uma cláusula que impede a compra hostil das ações. A Lojas Renner disse por meio de sua assessoria que não tem conhecimento de uma negociação entre a H&M e seus acionistas.

A H&M está avaliada em R$ 87,5 bilhões na bolsa de Estocolmo. Na BM&F Bovespa, a Renner vale R$ 7,2 bilhões e Riachuelo e suas indústrias somam R$ 5,4 bilhões. A assessoria da gigante sueca informou que não comenta especulações.

A Riachuelo nega qualquer negociação para se unir a H&M e a saída de Flávio Amadeu. “A chegada da H&M serve para ampliar o bom ambiente competitivo e inibir a sonegação de impostos, prática comum neste segmento”, diz Flávio Rocha, presidente da Riachuelo.

Ilustres desconhecidos também querem espaço

Provavelmente, boa parte dos consumidores brasileiros nunca ouviu falar de redes de vestuário como a alemã Peek & Cloppenburg (P&C), a inglesa Debenhams ou a espanhola El Corte Inglés. Pois estas ilustres desconhecidas, que estão entre os líderes de seus mercados de origem, planejam aportar em território nacional em breve.

Fugindo da crise na Europa, a centenária P&C, que tem lojas espalhadas no Leste Europeu, está buscando pontos de venda e com muita dificuldade.

Segundo dados da Associação Brasileira de Shoppings (Abrasce), a taxa de vacância média do país é de 2,7%. E a P&C tem um cenário diferente da H&M, bastante conhecida pela classe média.

“Assim como a Zara, a H&M está entre as tops do varejo. Os shopping centers disputam para ter este tipo de loja no mix. Elas atraem um grande fluxo de pessoas”, diz um executivo próximo à empresa.

Neste ano, o presidente da rede de departamentos espanhola El Corté Ingles esteve no Brasil analisando pontos de vendas em grandes capitais.

A empresa, que enfrenta dificuldades com a queda nas vendas na Espanha, tem planos de estrear por aqui no prazo de um ano.

A estratégia é trazer de volta ao Brasil o conceito de departamento, que desapareceu junto com Mesbla e Mappin.

A inglesa Debenhams, que trabalha com produtos mais baratos de olho na classe média baixa, ensaia desde o começo do ano passado trazer sua franquia de lojas ao país. Por enquanto, sem sucesso.


Frigorífico Construtora = ? – Paulo Prochno

maio 12, 2012

Por: Paulo Prochno.

A holding J&F Participações, que controla o frigorífico JBS, anunciou que vai comprar a construtora Delta, empresa que estava procurando um comprador porque está, diríamos, meio “enrolada”.

Frigorífico Construtora = ? – Paulo Prochno.


Jornal do Brasil – País – Compra da Delta pela JBS não é ilegal, mas “suspeita”, afirma especialista

maio 12, 2012

A compra dos fundos da Delta Construções pela holding J&F, que controla o frigorífico JBS, não apresenta problemas legais, mas a fusão não deixa de ser suspeita, afirmam especialistas. A empreiteira está envolvida nos escândalos com Carlinhos Cachoeira, descortinada em fevereiro pela Polícia Federal. A Delta ainda é a principal empresa nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.

A confusão entre público e privado não acaba aí. Cerca de 30% das ações da JBS são atualmente controladas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e as relações políticas entre o governo e o frigorífico são conhecidas: ambas as empresas envolvidas na fusão já contribuíram financeiramente em campanhas políticas.

Jornal do Brasil – País – Compra da Delta pela JBS não é ilegal, mas “suspeita”, afirma especialista.


Caixa reduz taxa de administração de fundos de investimento para atrair clientes | Agência Brasil

abril 23, 2012

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Caixa Econômica Federal anunciou hoje (23) que barateou as taxas de administração de dois fundos de investimento que entraram em vigor hoje mesmo. O Caixa AzulFIC RF Longo Prazo, que cobrava 3% ao ano, caiu para 1,5%, e o Caixa FIC Clássico RF Longo Prazo teve a taxa reduzida de 1,85% ao ano para 1,40%. Além disso, a aplicação mínima inicial foi reduzida de R$ 1 mil para R$ 100.

Caixa reduz taxa de administração de fundos de investimento para atrair clientes | Agência Brasil.


Ares argentinos

abril 23, 2012

Míriam Leitão e Alvaro Gribe

Empresários brasileiros já estão repensando os investimentos na Argentina. Não exatamente porque houve a expropriação da YPF, nem mesmo pela maneira como aconteceu, mas porque o ambiente para negócios é cada vez mais hostil. Tudo pode acontecer a partir de uma ordem de Guillermo Moreno ou por algum rompante da presidente Cristina Kirchner. A incerteza jurídica é um ambiente onde o investimento não prospera.

Brasil e Argentina estão unidos pela geografia e separados pelo temperamento. Certa vez, um ministro argentino me disse que a distância entre um e outro é a mesma que existe entre o tango e o samba. Os dois países enfrentaram problemas muito parecidos ao longo da sua história, com reações diferentes, pelo menos na intensidade.

A hiperinflação deles elevou os preços a níveis muito mais altos do que no Brasil. Eles fizeram um plano que era baseado no câmbio fixo. Só que era rígido. Uma lei proibia a desvalorização da moeda. Nós fizemos um plano que usou o câmbio quase fixo por algum tempo. As duas políticas cambiais entraram em colapso depois de alguns anos. Aqui, houve alguma confusão, mas a inflação foi controlada rapidamente ao custo de um ano sem crescimento. Na Argentina, tudo acabou em queda de governo e longa recessão. O Brasil aprendeu a lição e nada alterou o compromisso com as bases da estabilidade, nem mesmo a alternância de partidos adversários na Presidência da República. A Argentina volta a brincar com o mesmo animal, permitindo que ele se aproxime cada vez mais da economia.

Há artificialismos assim: a presidente visita uma empresa e pergunta por que certo produto não está sendo vendido no mercado. O empresário responde que não é do gosto argentino, por isso ele é feito apenas para exportação. No dia seguinte, o empresário recebe um telefonema de Moreno, que o manda pôr no mercado o tal produto e informa a que preço deve ser vendido. O empresário avisa que aquele preço dá apenas para cobrir o custo da embalagem. Moreno liga então para a empresa fornecedora e dita o preço que ele vai fornecer a embalagem. A empresa pede desconto no custo da energia. E recebe. Isso é fato real. Aconteceu com empresa brasileira. Moreno, para quem não sabe, é quem manda chover e parar de chover no país, por ordem da presidente. É secretário da Indústria e Comércio, mas é como se fosse primeiro-ministro. Houve um tempo em que ele despachava com revólver em cima da mesa. Hoje, já o recolheu à gaveta, ainda que ameace com outras armas os empresários que não o obedecem.

Ele ligou para um empresário brasileiro estabelecido no país e determinou que suspendesse as exportações. Quando o executivo disse que tinha contratos a cumprir, ele respondeu que não os cumprisse porque aquele produto tinha que ficar no mercado interno.

No Brasil, há também decisões controversas. Aqui foi elevado o imposto interno para carro importado, apesar do alerta de especialistas de que isso fere regras da Organização Mundial do Comércio. Na Argentina, o governo suspendeu a licença automática de importação e isso está criando problemas concretos para exportadores brasileiros que não podem embarcar mercadorias já vendidas.

Inúmeras empresas brasileiras estão na Argentina vivendo situações em que o voluntarismo substitui leis de mercado. O Brasil é visto hoje como uma economia mais organizada e mais previsível, o que pode, num primeiro momento, nos favorecer, mas os descaminhos do vizinho não nos ajudam. Para o Brasil, o ideal é que a Argentina tenha sucesso, porque o comércio entre os dois países é pujante, e os interesses comuns se adensaram muito nos últimos anos. O problema é que acordos comerciais negociados pelo bloco com alguns países ou regiões podem emperrar a partir de agora. O acordo Mercosul-União Europeia, por exemplo, é melhor deixar para outra oportunidade.

Atualmente há muito ruído em torno da decisão tomada pelos argentinos. O “Wall Street Journal” pediu em editorial a expulsão da Argentina do G-20, a Espanha ameaça parar de comprar grãos do país e pressiona a União Europeia a retaliar também, as ações da YPF despencam, e diversas autoridades do mundo fazem admoestações ao governo. Tudo isso pode passar, mas ficará a cicatriz.

Cartazes pregados nos muros argentinos dizem que CFK enfrentou YPF e que agora as petrolíferas “são nossas”. Isso pode soar aos brasileiros de forma simpática pela lembrança da campanha do “petróleo é nosso”. É bem diferente. A empresa argentina tinha sido privatizada, aliás com o apoio dos K. Claro que o país pode mudar de ideia, mas tudo seria aceito se fosse dentro da lei e com indenização negociada aos donos da companhia. O governo Lula também reclamou que a Vale não investia em siderúrgica no Brasil. A briga foi pública. Os acionistas, entre eles fundos de pensão de estatais e o BNDES, trocaram o presidente da Vale. O mercado não gostou e as ações da mineradora perderam valor, mas a empresa não foi ameaçada de expropriação.

Decisões governamentais controversas existem de um lado e outro da fronteira, mas o que a Argentina fez foi quebrar o cristal da confiança do investidor. Isso produz consequências difíceis de mensurar, mas que se prolongam pelo tempo.

Fonte: Blog da Míriam Leitão


Marca Vasp de volta aos ares

abril 11, 2012

As marcas Vasp e Vaspex foram avaliadas em R$ 700 milhões e deverão ser leiloadas nos próximos meses

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Nos próximos quatro meses, as marcas Vasp e Vaspex (subsidiária de logística da Vasp) deverão ser leiloadas. “Elas foram avaliadas em R$ 350 milhões cada uma”, afirma Daniel Carnio Costa, juiz titular da 1ª Vara de Falências de São Paulo, e responsável pelo processo de falência da Vasp. Segundo ele, o montante arrecadado com este leilão será destinado ao pagamento das dívidas trabalhistas da companhia, que hoje estão estimadas em R$ 1 bilhão. “Ainda não sabemos quanto será arrecadado, mas a lei não nos permite vender por menos de 40% do valor de mercado”, afirma.

Desde 2008, quando foi decretada a falência da companhia, o patrimônio da Vasp vem sendo vendido para sanar suas dividas. Hoje o passivo total da empresa é de R$ 5 bilhões. O próximo passo de Costa é vender a sucata das 22 aeronaves que estão abandonadas em aeroportos de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, e Salvador. Apenas uma não será desmontada por conta de seu valor histórico. O Boeing 737-200 que está no aeroporto de Confins, MG, foi o primeiro desse modelo a pousar no Brasil e o que mais voou no mundo pela bandeira de uma só companhia. A medida é resultado do Programa Espaço Livre-Aeroportos, da Corregedoria Nacional de Justiça.

Fonte: Isto é Dinheiro


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